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Para onde vais tu, Europa?

Sexta-feira, 20.11.15

 

paris 4.jpg

 

Se os novos tempos que vivemos já eram complicados, quer em termos dos atuais equilíbrios geo-estratégicos e políticos entre as principais potências mundiais, quer em termos dos caminhos a seguir para enfrentar as consequências do terrorismo e da crise dos refugiados, com os atentados de Paris torna-se fácil soçobrarmos perante a torrente de informação e a multiplicidade de problemas e desafios que se colocam à humanidade e aos líderes mundiais. Bom senso, capacidade de síntese e focagem nos principais problemas a enfrentar, no presente e no futuro, são qualidades que assumem, hoje por hoje, uma importância inestimável. Como sempre, a Teresa de Sousa revela essas qualidades, conforme se pode depreender do artigo que ontem escreveu no “Público”. O link para o artigo deixo-o aqui. Nas linhas que se seguem organizo ainda mais as principais ideias explanadas no artigo, separando-as em duas caixinhas: problemas atuais e desafios futuros que a Europa enfrenta.

 

Os problemas que a Europa enfrenta hoje:

- “(…) já se sabia desde os atentados de Londres em 2005 que a maioria dos terroristas eram cidadãos europeus, da segunda ou terceira geração de imigrantes muçulmanos. Também se sabia que as acções dos “lobos solitários” rapidamente se poderiam transformar numa rede melhor organizada e mais directamente dependente do autoproclamado Estado Islâmico.”

- “O Daesh <<está a dar forma a uma política para expandir a sua influência, conquistar novos territórios, desestabilizar os seus vizinhos e exportar terror para os seus inimigos mais distantes>>.”

- “(…) a Europa deixou de conseguir exportar a democracia para passar a importar o caos.”

- “O pior é o efeito corrosivo do medo nas democracias europeias. E o medo é o pior inimigo da razão.”

 

Os decisivos desafios para o futuro a que a Europa terá de saber dar resposta:

- “Para lá das emoções que ainda estamos a viver, houve em Paris uma mudança de página. Ficar tudo na mesma deixou de ser opção. A resposta não pode ser apenas francesa, terá de ser europeia. Exige, de uma vez por todas, aos europeus que definam uma estratégia comum para sobreviver no mundo que os rodeia.”

- “Saber o que fazer não será fácil. Saber o que não fazer remete-nos para as consequências do 11 de Setembro.”

- “Qual é a prioridade? <<Acabar com Assad ou esmagar o Daesh>>, pergunta o antigo primeiro-ministro francês Alain Juppé, inclinando-se para a segunda opção. Infelizmente as coisas não são assim tão simples.”

- “Putin pode ser essencial na resposta à guerra na Síria mas a Europa e os EUA não lhe podem oferecer de mão beijada um regresso triunfal ao estatuto de grande potência.”

- “A Europa enfrenta um tremendo desafio que determinará provavelmente o seu futuro. O problema é se ainda vai encontrar forças para sobreviver unida num mundo do qual se esqueceu durante demasiado tempo.”

 

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publicado por bolaseletras às 07:06

"A zona de interesse" - Sobre a religião e a falta dela, na incessante busca da génese da escuridão

Quinta-feira, 19.11.15

  

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Voltamos à “Zona de interesse” de Martin Amis, aos crimes do nazismo, ao mal sem explicação. Face aos tempos que vivemos é pertinente explorar a ligação entre a religião e o mal, quer do ponto de vista da guerra das religiões, quer, como no caso em apreço, do ângulo proporcionado pelo conflito entre a religião e a descrença absoluta, e, consequentemente, qual o papel de todos estes antagonismos absurdos na génese do mal. Tenho um amigo invulgarmente inteligente que há anos tece o mesmo singelo comentário na análise dos males do mundo: “A culpa é da religião”. Acrescento eu, se a culpa não é dela é da ausência dela, pelo que, indirectamente, a religião acaba por estar sempre envolvida nas desgraças da humanidade. Diz o povo, na sua infinita sabedoria, “morto por ter cão ou por não ter” (substituam cão por religião e vão ver que chegamos ao mesmo sítio).

  

Caracas, Venezuela, 2006, Christopher Anderson.jpg

 Caracas, Venezuela, 2006, fotografia por Christopher Anderson

 

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publicado por bolaseletras às 07:59

A tempestade

Quarta-feira, 18.11.15

 

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Não havia forma da tempestade passar. Não percebia nem procurava perceber porque não conseguia parar de fixar loucamente os raios que rasgavam o céu cinzento, porque insistia em deixar que as golfadas de chuva torrencial o encharcassem até à raiz dos ossos. Os trovões soavam-lhe como música celestial, o frio era um convite irrecusável para se manter acordado e alerta, para sentir a vida atravessar-lhe as avenidas do corpo em níveis de velocidade alucinada e muito acima dos limites estabelecidos pelas confortáveis vidas dos vizinhos, dos amigos, da malta lá da empresa. Os dias de sol e modorra enfastiavam-no de morte, amava aquela tempestade naquele segundo, naquele minuto, naquele fim de tarde, sabia que ia ser assim até ao fim da sua vida. Há vidas piores e mortes bem mais fúteis.

 

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publicado por bolaseletras às 07:07

Café da manhã - Monica Bellucci

Terça-feira, 17.11.15

  

Monica Bellucci.jpg

 

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publicado por bolaseletras às 08:10

Olho por olho, dente por dente?

Segunda-feira, 16.11.15

 

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Não tenho bem a certeza porque é que a frase acima, que já de si não é simples nem pura, me conduziu à imagem abaixo, toda ela indiciadora do que comumente se designa por impuro, pouco dada a simplicidades e bem mais amiga do complexo universo de Helmut Newton, que produziu este estranho quadro no início da década de 70, num qualquer apartamento de Paris. A perversidade que se adivinha por detrás das quatro paredes não será estranha a quaisquer outros casulos domésticos. Esse toque erótico-maligno, mais ou menos indecoroso, bem presente ou melhor escondido sob a pele dos nossos tabus, existirá sempre abrigado da moral da “vida em público”. Ainda assim, olhando para os recentes acontecimentos de Paris, é legítimo questionarmo-nos sobre onde reside agora o mais fundo da perversidade dos homens. É nos pecadilhos carnais que se adivinham nas sombras invisíveis que os cortinados escondem, ou é no sangue que escorre, lento e frio, para as sarjetas que outrora apenas recebiam as águas de Outono? Bin Laden, esse profeta das trevas, disse um dia: “Nós temos jovens que amam a morte mais do que vós amais a vida”. Como lutar contra isto? Como não ceder ao apelo do ódio, do olho por olho, do dente por dente?

 

Helmut Newton, Paris, 1979.jpg

P.s – Cruzei-me com esta imagem na passada tarde de sexta-feira, poucas horas antes do massacre de Paris. Encontrei nela uma perversa beleza que não soube traduzir, senti ao contemplá-la um ligeiro arrepiar na espinha sem razão aparente.

 

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publicado por bolaseletras às 13:59

Apesar do mal, teremos sempre Paris

Sábado, 14.11.15

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Tenho alguma dificuldade em alinhar um discurso coerente quando as emoções não abrandaram ainda para lume brando. Creio que é humano, embora cada vez menos saiba o que é ser hoje razoavelmente humano. Oiço em silêncio os discursos securitários de experts nisto e naquilo, as promessas de acções e planos infalíveis dos líderes do mundo que passa nas televisões e pergunto-me se ninguém percebeu ainda que massacres como este, com maiores ou menores motivações religiosas ou ideológicas, vão estar sempre ali, na curva, ao espreitar da esquina. O corvo negro que nunca deixará de turvar-nos a esperança paira sobre sobre as nossas incertas existências. Não adianta temê-lo, nao adianta não viver para adiar a sua descida dos céus. Loucos, fanáticos, gente genética ou "ambientalmente" má existirá sempre ao nosso redor. Podemos ter mais ou menos sorte em não nos cruzarmos com esses cruzados do ódio, podemos erguer barreiras, tentar amaciá-los ou educá-los, mas o mal nunca deixará de existir. Ter esta consciência pode ser ainda mais doloroso do que a não ter. A ignorância é uma benção. CONTIGO PARIS!

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publicado por bolaseletras às 18:43

Contigo Paris

Sábado, 14.11.15

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publicado por bolaseletras às 00:15

Sobre aquele cantinho florido e solarengo que não se governa nem se deixa governar

Sexta-feira, 13.11.15

  

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Vasco Pulido Valente, hoje no jornal Público, na mouche:

 

"Em Portugal não é o consenso que produz prosperidade; é a prosperidade que produz consenso. Se houver evidentemente quem nos dê dinheiro.”

 

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publicado por bolaseletras às 09:59

Enquanto as folhas caem

Quinta-feira, 12.11.15

  

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Surge sempre aquele dia em que acordamos sem nada para dizer, sem arquivos preparados para alimentar a máquina devoradora que é o Bolas e Letras, sem forças para enfrentarmos o trânsito, as exigências dos clientes, as razões desrazoáveis de cidadãos ávidos de Justiça e eficiente serviço público. Há tanto para dizer e demasiada falta de tempo para o escrever. Há também a preguiça das manhãs de Outono que se espreguiça por entre as folhas que caiem no chão húmido, levemente beijado por tímidos raios de sol. E há ainda razões para não se sair da cama, deixar as folhas cair em silêncio do outro lado das vidraças, abandonar temporariamente o blog, o trabalho, aquela reunião definitiva e imperdível, aconchegarmo-nos ainda mais no casulo de lençóis de flanela e pesadas mantas. Vocês sabem do que é que eu estou a falar.

 

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publicado por bolaseletras às 10:15

Estado da Nação

Terça-feira, 10.11.15

  

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Está tudo muito crispado e não param de chover vozes críticas no lamaçal da atualidade política lusitana. Eu próprio não fiquei propriamente agradado com a forma pouco clara como o PS chegou ao poder. Se, por um lado, António Costa foi dando a entender que essa história do arco da governação tinha os dias contados, por outro, não há como negá-lo, no decurso da campanha eleitoral a crispação que existiu entre PS/PCP e BE não permitia adivinhar que o pós eleições nos iria dar de bandeja uma coligação de esquerda para governar. Não sendo tradição, tudo isso é legal pois a nossa Constituição permite-o. Ok, a coisa não foi propriamente transparente, mas é hoje o que temos. Corremos o risco do status quo das agências de ranking e das entidades internacionais e instâncias europeias nos castigarem porque são maioritariamente comandadas por gente e ideais de direita? Sim, corremos, sem dúvida. Preocupa-me que as contas públicas - apesar de estar prometido no programa de governo do PS o cumprimento das metas orçamentais com que nos comprometemos externamente – possam derrapar para que se assegure que o estado social a tudo acuda, esquecendo-se que as receitas já não dão para tudo? Sim, preocupa-me e muito.

Dito isto, vale a pena continuar a chover no molhado, a criticar, a insistir na contestação cega, na política do bota abaixo, na criação de cenários catastrofistas? Talvez valesse a pena se isso fosse a preparação de um golpe de estado para demover a esquerda do poder. Como não me parece que seja essa a ideia talvez fosse bom deixarmo-nos de lamúrias e histerismos e irmos ao que interessa. E o que interessa é darmos o nosso contributo para que este Governo funcione o melhor possível, é oferecermos uma atitude positiva na sociedade, no trabalho, na família, é deixar de estarmos à retranca e passarmos a ser nós a conduzir a bola, sem medo dos adversários e dos fantasmas que por aí se apregoam. Alguém acredita verdadeiramente que os líderes desta esquerda unida queiram o pior para o país? Chega de vivermos a política com o espírito da clubite. É preciso perceber que quem nos governa o faz - com todos os defeitos que possa ter e erros que possa cometer – com a convicção de que está a fazer o melhor para o país e para os portugueses. Podíamos querer outros governantes a fazer esse papel, mas se não acreditamos nas boas intenções de quem exerce o poder a nosso mando então o melhor é chamarmos o D. Duarte ou ressuscitarmos o Dr. Oliveira Salazar. Vejam lá isso.

 

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publicado por bolaseletras às 22:29






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