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Como sempre, tudo depende

Terça-feira, 19.01.16

  

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Sento-me no café habitual, pouca gente, a SIC notícias na modorra das horas que passam sem passar nada. No écrãn a campanha presidencial, uma campanha patética, degradada e degradante, sem chama, reflectindo fielmente o estado da Nação. Dois vizinhos de meia idade, enfadados com a vida e o estado da arte de uma nação sem arte, dialogam sobre o panorama televisivo-presidencial:

- Porra Antunes, desta é que me lixaram. No Professor não posso votar porque apesar de ele se dizer isento e sem facções, todos sabemos que está mais perto da direita do que da esquerda. E tu sabes que eu à direita do PS nunca! Posso votar nos comunas, nas miúdas giras lá do Bloco, até nos malucos do MRPP, agora para a direita é que não me viro. Mas estes candidatos não me fazem tirar a manta dos joelhos no próximo domingo, pá, isto é gente que não punha nem sequer a colar selos lá na empresa! Então e tu, amigo, que és ainda mais à esquerda do que eu, em qual destes sujeitos e sujeitas pensas pôr a cruz?

- Ó Vítor, tenho pensado tanto nisso. E sabes o que te digo? O Professor é o único que tem a mensagem, falsa ou verdadeira, que interessa para o cargo. Um presidente tem que ser um árbitro, de preferência o mais isento possível. Os outros acham que vão para lá governar, não percebem que as eleições para Primeiro-Ministro já foram! Olha, sabes o que te digo? Ou faço um valente Zé Bastos na folha de voto ou ponho a cruz no Marcelo. Tudo depende!

- Depende de quê, homem?

- Depende se der ou não uma trancada na noite anterior. Toda a nossa vida depende disso, porque é que o voto também não há-de depender?

 

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publicado por bolaseletras às 23:32

A bela e os monstros

Terça-feira, 19.01.16

 

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O cão era feio, antipático, declaradamente pouco amigável. Ela passeava a beleza consigo, como se fosse algo indissociável da sua existência. Transparecia serenidade, sem grandes sorrisos, percebia-se até uma pontinha de melancolia não muito distante de umas suaves variações da tristeza. Cruzava olhares com toda a gente sem se fixar em ninguém. Homens bonitos, homens comuns, outros feios, crianças e mulheres (inveja, a velha inveja, esse elo que unia o universo feminino). Porque passeava um animal tão feio era uma das questões que pairava no ar e que ninguém se atrevia colocar. Quereria ela dizer ao mundo que a sua beleza não procurava apenas a beleza visível, mas sim sobretudo a que se esconde sob a capa de uma cara feia ou mesmo repelente? Saberia ela que a ausência de beleza física pode ser o dínamo que potencia o crescimento interior, por não haver outra saída para quem padece desse suposto mal? Será que ela carregava esse mal numa outra perspectiva, isto é, tanta beleza exterior secara-lhe a riqueza interior, pelo que a buscava nos outros através dessa bandeira de socorro de quatro patas? Ou, simplesmente, ela nunca sequer pensara nisso? Nunca tendo pensado nisso, toda essa verdade estaria oculta em motivações subconscientes ou o acaso pode ser mesmo só um acaso?

 

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publicado por bolaseletras às 10:05

A bela Cuba na pele da bela Bo Koehler

Segunda-feira, 18.01.16

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publicado por bolaseletras às 09:36

Ai Mouraria!

Domingo, 17.01.16

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Vagueio pela mouraria, pelo meio de velhotes imóveis, velhotas em amena cavaqueira nas soleiras das portas sempre abertas, por entre paquistaneses, indianos, chineses, ucranianos embriagados mas sorridentes. O ambiente é o de um bairro multicultural, sem sombra das lendas de perigos fantasmagóricos que as diferentes cores e culturas instigam a tanto lisboeta medroso. Turistas seniores, gente que renega a velhice e disfruta serenamente das cores e dos cheiros da lisboa mourisca. Deixo-me contagiar pela onda turística e vou disparando a câmara do telemóvel. É difícil não captar beleza por estas colinas de Lisboa, esta Lisboa que eu amo.

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publicado por bolaseletras às 16:52

Sporting 2 - Tondela 2

Sábado, 16.01.16

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Já a frio deixo pequenas notas sobre um jogo que começou pessimamente, deu a volta para uma recuperação heróica, impulsionada por esse pequeno Gelsongénio que tem que começar todos os jogos por mais chutes que dê o chuta chuta, mas que, acabou mal, devido a uma perda de controlo do jogo nos últimos minutos que não pode acontecer. O que faltou? Faltou entrar bem, faltou a calma, eficácia e sentido prático de Paulo Oliveira (Ewerton muitos furos abaixo), faltou Ruiz não acertar na cabeça de um milagreiro defesa do Tondela em cima da linha de golo, faltou um guarda-redes suplente mais próximo da qualidade de Rui Patrício. E a arbitragem? Em câmara lenta percebe-se que não é penalty, o avançado adversário cai antes de chegar perto de Rui Patrício, mas a velocidade do lance dificulta essa visão que a televisão concede. A dúvida é sempre a mesma: este penalty seria marcado na Luz ou nas Antas? Tenho dúvidas, essa é a questão. Não éramos campeões ontem, nao deixámos de o ser hoje, tudo está nas nossas mãos. Resta-nos apoiar, em todos os estádios, até à voz falhar. Força rapazes!

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publicado por bolaseletras às 11:06

Just singing in the rain

Sexta-feira, 15.01.16

  

Audrey Hepburn by Richard Avedon, 1959.jpg

 

Incomoda-me ligeiramente (nada de muito acentuado, mas aborrece-me) esta associação generalizada que as pessoas, a arte, o cinema, a literatura e demais veículos culturais, fazem entre a chuva, a tristeza e a melancolia. Será que quem assim pensa, escreve ou realiza um filme nunca correu de braços abertos à chuva, rindo a bandeiras despregadas, com um bocado de sorte sem roupa a incomodar-lhe a pele, com a alegria desbragada das crianças, com a loucura descontrolada dos amantes que se amam em plena comunhão com a natureza? Não obstante, é de uma beleza docemente triste a Audrey Hepburn, assim capturada pela lente de Richard Avedon, corria o ano de 1959. Ficaria ainda mais irresistível com um sorriso à chuva, a bela e triste Audrey? Tirem-lhe a sombrinha da fotografia de baixo, libertem-na daquele vestido que mais parece um balão e fotografem-na a correr como veio ao mundo, por aquele prado fora, sob bátegas de chuva inclemente e estimulante e verão quanta razão tenho eu. Façam isso na vossa imaginação que o tempo no fim-de-semana é capaz de ajudar ao esforço onírico. Have fun!

  

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publicado por bolaseletras às 15:31

Correr

Quinta-feira, 14.01.16

 

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Haverá ainda quem não tenha aderido à moda de correr, de fazer jogging, de medir os tempos, os Km´s e as calorias? E correm para quê? Para ter mais saúde, para perder peso, para obter a silhueta perfeita, porque sabe bem, para passar o mínimo tempo possível em casa? Ou para levar o corpo ao limite e com isso esquecer os males do espírito? Não interessa, o que interessa é correr, sem parar, crescentemente, incessantemente. Eu não corro. Passei a infância e juventude a correr atrás da bola, em pelados, cimentos, empedrados, dias sem fim, horas seguidas, sem dor, com dores, como se não houvesse mais nada que fazer na vida. Os tendões de Aquiles terão recebido toda a carga de impacto do meu corpo aceitável para uma vida, isto quando o meu corpo pesava 30% do que hoje pesa. Hoje caminho, biciclo e nado. “Então e tu não vens correr, pá”? Não, já não tenho pressa para chegar a lado nenhum, a bola nenhuma. Tenham juizinho.

 

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publicado por bolaseletras às 10:12

Conversa de café

Quarta-feira, 13.01.16

  

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- Bom dia, desculpe incomodá-la.

- O que quer?

- Ehhrr…estava na mesa ali do canto, já há algum tempo, e não pude deixar de observá-la a ler o jornal.

- Não estou a perceber. O que pretende?

- É que…não lhe conseguia ver a cara, e...

- Não me vai contar a velha história do “pareceu-me que a conhecia”, não?

- Não precisa de ser tão dura. Apenas queria vê-la.

- Se você estivesse ali, no seu canto, a ler o jornal descansado, e alguém se lhe dirigisse com essa mesma pretensão, não reagiria você de forma dura?

- Mas eu não estaria ali certamente a ler o jornal de pernas cruzadas, com essas pernas e uma saia tão curta.

- Ah, então isto é tudo porque eu tenho uma saia curta? Nesse caso, a minha cara para o efeito pouco importa, certo? Vá, seja sincero.

- Se quiser classificar-me de tarado, de ordinário ou pior está no seu direito. Não resisti em procurar confirmar aquilo de que não tinha dúvidas: um par de pernas tão perfeitas só poderia pertencer a uma mulher tão bonita.

- Esse tipo de elogios costumam resultar com outras mulheres? Você tem ao menos noção do insultuoso que é para mim saber que há homens que pensam que têm livre acesso a mim, a conhecer-me, só porque eu sou bonita ou podre de boa? Pior – perceber que se dirigem a mim pela simples razão de que o meu físico lhes agrada, marimbando-se se sou inteligente ou burra que nem uma porta, boa pessoa ou má como as cobras?

- Sejamos ambos sinceros. É assim que as coisas funcionam. Hoje, ontem e desde tempos imemoriais. Mulheres feias não são abordadas em cafés.

- E homens interessantes e decentes dificilmente acabam com mulheres bonitas como eu. Já percebeu porque tantas vezes tipos idiotas e giros como você se questionam como é que tanto trambolho minorca consegue sacar gajas tão giras a que vocês não chegam nem em sonhos?

- Já namorei mulheres pouco bonitas, porque quis, não por impossibilidade de conquistar mulheres bonitas.

- Ai sim, e porque não as aborda nos cafés, em vez de me estar aqui a foder o juízo a mim?

- Porque as mulheres menos bonitas não andam pelos cafés a mostrar as pernas quase até ao cu.

- E quando faz sexo com elas, fecha os olhos e pensa na mulher bonita que estava no café?

- Sim, penso, mas tento esquecer-me que ela é impossível de aturar.

- Boa sorte, então. Chamo-me Paula. Não se esqueça de lhe sussurrar o meu nome ao ouvido, quando estiver bem perto do êxtase. Paula, Paula, Paula. Boa, quente e comilona como você nunca vai ter. Paula Paula Paula. Cuidado, não deixe cair o nome quando estiver quase.

 

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publicado por bolaseletras às 10:19

Ground control to major Tom (41)

Terça-feira, 12.01.16

 

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Ontem, no dia em que fiz 41 anos, soube, como o mundo, como todo o mundo, que David Bowie abandonara o mundo a que tanto dera. Não sinto a idade, nunca a senti, mas sinto que com os anos que passam, lentamente, o mundo vai mudando. Vai-se o génio de Bowie e não me parece que haja quem o substitua à altura. Vai-se dissolvendo a ingénua infância dos meus filhos e não sei se para a frente os seus sorrisos continuarão a espelhar tanta pureza, tanta alegria sem grilhetas e sem limites. Pode parecer que há algum pessimismo nesta palavras, mas não, o que há é a crescente percepção de que envelhecer é saber adaptarmo-nos ao que é e ao que vem, nunca esquecendo o que foi e que para sempre nos marcará.

 

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publicado por bolaseletras às 10:29

Sporting 3 - Braga 2

Domingo, 10.01.16

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Um dos grandes méritos desta equipa leonina passa por, ao contrário do que se passou nos últimos anos, ter força e confiança para puxar pelos adeptos, nunca desistindo, acreditando sempre no seu valor e no objectivo final a que se propõe - a vitória. Hoje é justo centrar o mérito naquele que está para lá dos jogadores, que os estimula, lhes reforça a capacidade mental e os organiza em campo. Falo de Jorge Jesus, o nosso mister que antes do jogo entoa os cânticos da ponta sul, que no final do jogo vibra e explode como um adepto. Foi ele que soube que era o momento para pôr em campo Gelson para implodir o jogo, foi ele que soube ver que Montero tinha condições anímicas para inventar aquele segundo golo. Esta é uma equipa de sportinguistas, desde o Paulinho ao Presidente, passando por JJ e pelos jogadores e assim tudo é possivel, mesmo quando o impossível está à espreita. Parabéns rapazes, obrigado por mais esta extraordinária vitória. A jogar e a acreditar assim, a glória está já ali!

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publicado por bolaseletras às 20:52






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