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Café da manhã - de preto, nunca me comprometo

Quarta-feira, 10.02.16

 

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publicado por bolaseletras às 09:27

É Carnaval, ninguém leva a mal

Terça-feira, 09.02.16

  

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Prometi a mim mesmo que não iria criticar o nosso querido luso Carnaval, o que era já um clássico do entrudo do Bolas e Letras. Porque a chuva não pode fazer esmorecer a alegria, porque o frio não manda nisto, porque se olharmos bem para o que se vê pelas ruas das nossas carnavaleiras cidades podemos até descobrir laivos de puro divertimento, muita imaginação e espírito criativo e, claro, não podia deixar de ser, a já clássica sensualidade luso-carnavalesca. Cantam-se loas ao Carnaval brasileiro, mas ninguém aponta o dedo ao excesso de gente desnudada, à vulgaridade e à inegável exploração da mulher enquanto mero pedaço de carne. Fiquem então com algumas belas imagens do nosso encantador e tradicional Carnaval, logo seguidas de outros vergonhosos retratos do lado de lá do oceano. Se há momento em que se pode aplicar com propriedade o ditado “Vá ao diabo e escolha”, este é um deles. Como dizia o bom do saudoso Diácono Remédios, “não habia nexexidade”.

  

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publicado por bolaseletras às 08:45

American sniper

Segunda-feira, 08.02.16

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American sniper de Clint Eastwood tem tudo para ser um clássico cliché dos filmes americanos de guerra e não deixa de o ser, porque tudo o que é tratado e repetido até à exaustão o é, porque a vida e a arte que a imita mais não é que um saco cheio de clichés amontados. O cliché é o horror da guerra, o impacto que isso tem para as famílias dos que vão atuar nesse teatro de morte, o trauma pós-guerra desses atores e novamente o impacto que tem nas famílias essa destruída/destrutiva nova pessoa que encarnou num novo espírito, a mais perfeita transformação de um actor. O filme tem tudo isso, mas Clint Eastwood teve o génio de tornar a glorificação de um soldado americano que se tornou um mito na guerra do Iraque em algo mais. Bradley Cooper regressa a casa, para os filhos e a mulher que indubitavelmente ama, mas nunca regressa de facto, o que faz com que por quatro vezes regresse ao Iraque. The legend, como lhe chamam, aquele que matou dezenas de iraquianos para proteger os seus compatriotas, sentia que, como um Deus, podia evitar as mortes dos seus irmãos de armas e de sangue. Amava a família mas sentia que algo maior lhe estava destinado, que regressar à América era abandonar à sua sorte aqueles que tinha o dom de poder salvar. Geralmente o cliché aponta para a dor por estar longe de casa, o sofrimento dos soldados, o regresso ansiado e manchado pelos infinitos traumas da guerra. Eastwood deu esta volta ao enredo e saiu-se bem. Bradley Cooper só redescobre a paz quando, de regresso a solo americano, consegue ajudar veteranos de guerra a atenuarem as suas dores. Antes disso, era como um médico que negligencia a família porque sente que a sua missão é salvar muitas outras, como um cineasta que aos oitenta anos, depois de produzir dezenas de filmes ainda sente que pode mudar a perceção do mundo, aperfeiçoar a arte mais e mais. Como um D. Juan que ama a sua mulher mas que sente que pode dar felicidade a tantas mais mulheres. Nada é preto, nada é branco, o que a milhares de olhos é errado pode criar tanto bem a milhares de outros. Não há mal e bem absolutos, tudo é relativo, tudo depende da perspectiva de quem perde o bem ou de quem dele usufrui.

  

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publicado por bolaseletras às 10:07

É o melhor remédio

Sábado, 06.02.16

  

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 Crianças no cinema em 1958 - fotografia por Wayne Miller

 

Se há coisa que me preocupa é olhar para uma criança e vê-la demasiado séria, passar horas em que uma gargalhada não explode do seu coração para a boca, iluminando o mundo com esse raio de sol. As crianças foram feitas para rir, por tudo e por nada, para rejubilarem com todos os pormenores do mundo, com todas as piadas tolas dos pais, com as brincadeiras mais simples, com a chuva que cai ou com o calor do sol. Temos demasiado tempo para enclausurarmos os dentes, deixemos as nossas crianças rir, façamos por isso.

 

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publicado por bolaseletras às 23:54

Hristo Cristo Stoichkov vs Johan Deus Cruyff

Sábado, 06.02.16

  

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publicado por bolaseletras às 08:40

Bellucci, Monica Bellucci

Sexta-feira, 05.02.16

 

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Porque hoje é sexta-feira não vou puxar pelas minhas meninges nem pelas vossas, vou só apreciar como fica bem aqui a Monica, neste fundo escuro e cru, nesta casa modesta mas que muito aprecia o fogo controlado que dela emana. A expressão desta diva, o que nos diz? Força ou fraqueza? Segurança ou incerteza? Amor ou ódio? O que esconde o écran, o que não revela da mulher de carne e osso? Deixemo-la elucidar-nos enquanto mergulhamos os sentidos na complexidade inigualável da sua beleza: “I like to do on screen what I´m not in life. In life, I´m much more weak and insecure, and so then you know I like to play characters that are stronger than me”.
 

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publicado por bolaseletras às 09:22

Terapia

Quinta-feira, 04.02.16

   

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Os portugueses precisam de olhar para si e perceber o que os novos tempos lhes trazem. As angústias hoje são outras, os estados depressivos alastram como um vírus imbatível. Há quem fale, há quem chore, mas desconfio que a maioria esconde a dor de sofrer sem sequer perceber porquê. A RTP, conduzida pela mão sabedora de Virgílio Castelo, teve a excelente ideia e correu o risco de levantar o véu sobre essa dor, os seus ínvios caminhos, sobre um possível tratamento/alívio da mesma. Não falo da terapia, falo de deitar cá para fora, de falar. Por mais de uma vez disse a pessoas que se afundavam nesse nevoeiro de sentimentos que, caso não quisessem falar com um profissional, que escolhessem um amigo, um bom ouvinte, para falarem, para deitarem cá para fora, para chorarem. Como diz e bem o bom do Virgílio, é na dor que crescemos, mas se queremos ser felizes precisamos de afectos, de gente na nossa vida.

 

“O que fazemos de mais importante é nascer e morrer, e aí estamos sozinhos. (…) Há uma rede que se vai criando, porque fazer isto tudo é uma trabalheira enorme e não tem metade da graça. Mas quando olhamos para trás e pensamos na nossa vida, apercebemo-nos que é sempre na dor que crescemos. E nesses momentos, mais uma vez, estamos sozinhos. Tudo o que é estrutural na vida é feito sozinho, mas de facto aquilo que a física quântica está a provar agora é que podemos estar sozinhos mas fazemos parte do mesmo processo e não há energia que um de nós desencadeie que não tenha uma resposta do outro lado. E por isso essa rede de afectos que vamos construindo ao longo da vida é natural. Como diz a canção brasileira, “ninguém é feliz sozinho”.

 

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publicado por bolaseletras às 10:02

Café da manhã - first things first

Terça-feira, 02.02.16

 

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publicado por bolaseletras às 09:24

O frio lá fora

Segunda-feira, 01.02.16

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Noites frias que nos encerram em casa. O calor do lar, o frio que deixamos nas ruas, as pessoas que se isolam na desculpa perfeita. Darmos e recebermos nem sempre é fácil, sairmos do conforto das nossas convicções e aceitarmos os outros. Como crescer sem essas trocas, sem interagir com a diferença, sem tocarmos no que não acreditamos? A crescente tentação de mergulharmos na confortável filosofia do "conhece-te a ti mesmo" não será uma muito bem encenada fuga a esse processo único de crescimento que é conhecer o mundo e os outros? Ou, simplesmente, quem se busca a si mesmo oculta em frases bonitas e conceitos inexpugnáveis a comparação com o que desconhece? Diz-me quanto te dás, dir-te-ei quem és.

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publicado por bolaseletras às 21:20


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