Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
O tempo do fim do tempo
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Querer ter tempo para escrever e não o ter. Desejar uma tarde sem a pressão dos ponteiros, só para contemplar o rio, a calma enervante de um pescador sem horas, mergulhar nas horas sem tempo, sem princípio e sem fim. Uma suave sensação de paz, instigadora de sorrisos de amena felicidade. Nada mais que isso, apenas isso. É preciso tão pouco.
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Aparvalhar
Começar o dia com algo completamente diferente, a dizer frases sem sentido, a trocar larachas com gente de um universo paralelo. Deveríamos ter um dia no ano, no mês, na semana (consoante a capacidade de aparvalhamento de cada um) para mandar o bom senso e o juízo às malvas e falar sem pensar, rir sem conseguir parar, amar sem medo da dor. Não há nada mais inteligente do que fazer de parvo de quando em vez. Vejam lá isso.
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Coisas que pessoas real e originalmente especiais demasiadas vezes se esquecem
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A cidade onde o café melhor sabe
Não conheço o livro, não conheço a Marina, mas conheço bem o prazer de beber cafés pelos cafés de Lisboa. Esplanadas, estabelecimentos clássicos, tascas, botequins de bairro, quiosques sob a sombra de frondosas árvores, o sabor único dos grãos nem doces nem amargos, o cheiro que nos acorda antes sequer de as papilas se deixarem acordar pelo estímulo da cafeína. Há milhares de coisas mal neste país, mas começar o dia com um café num qualquer café desta cidade única dá-nos força para derrubar, desde logo, umas centenas de entraves e tornar o dia em algo prometedor. Não sou apologista que o café se beba em casa, no conforto artificial de uma qualquer máquina Nespresso. Mas, se tiver que ser, e nunca esquecer que o que tem que ser tem muita força, que o façam por uma boa razão, grão a grão…
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A falta de tempo, a Irina, a Laetitia...
Sim, voltou o tempo em que não há tempo para escrever, refletir e afins. Quando o tempo escasseia a vida perde alguma beleza, porque quase sempre a falta de tempo deriva de situações pouco dadas às belezas do mundo e da humanidade. Quando assim é nada como recorrer à beleza. Não há tempo, mas há felizmente a Irina, a Laetitia, and so on and so on...podemos não ter tempo, mas convém manter a pestana aberta, minhas queridas amigas e meus diletos amigos.
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Pero que las hay, hay...
As aparências iludem, dizia um qualquer monsieur de Lapalice. Dizia-me um amigo no outro dia que não conseguia perceber como é que aquela moça tão gira, com um sorriso tão vibrante, com um corpo majestoso que estava mesmo a pedir cuidados variados e dedicados, consagrava tanto do seu tempo àquelas coisas dos misticismos, do auto-conhecimento, da crença em coisas que pareciam só existir em universos paralelos que a ele só lhe pareciam bruxarias. Quanto mais ele falava da moça mais eu percebia que ele estava tão apaixonado como assustado pelo facto de estar tão apaixonado por uma pessoa tão diferente do que se considerava. Não lhe quis dizer isso, mas não resisti em dizer-lhe: “Homem, tem calma, olha que há bruxas boas e que há fadas que nem meia f...da merecem, de tão bruxas que são”! Muaaahhhhhh
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Reflexão para meio da semana
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Tempos estúpidos
A Yoko Ono, que não deve ser parva de todo, pôs-me a pensar em cenas da vida quotidiana que têm tendência para um preocupante recrudescimento. Falo das crianças que devoram séries, programas, tardes de café com adultos e afins e que, naturalmente, reproduzem todo esse manancial de prejudicial informação para a sua natureza, a sua inocência, manifestando comportamentos desviantes do que deve ser uma criança, tristemente refletidos em défice de sorrisos e de desbragadas brincadeiras, submersas que estão em falas de adultos, em dramas de adolescentes que brilham nos néons da televisão lá de casa que passou a ser a sua melhor amiga, a sua mãe ou o seu pai com falta de tempo.
Em contraponto, temos os adultos que não conseguem soltar as amarras da doce juventude, tudo fazendo para eternizar esses tempos, esses hábitos, essa confortável ausência de responsabilidade, de horários, de amarras, vivendo numa incessante corrida contra o relógio do tic tac assustador, como se temessem adormecer um dia de fato e gravata e não mais pudessem passar a noite de bar em bar, de engate em engate, de biscate em biscate. Vivemos tempos em que o que somos ou o que temos nunca nos preenche, nunca é o que se quer ou se sonha, como se estarmos bem connosco ou com a nossa vida fosse um frágil sinal de comodismo, de falta de ambição. Vivemos tempos estúpidos.
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Os cus de Judas (e as nádegas fofas das criadas)
A tropa há-de torná-lo um homem, os homens que o antecederam e foram à tropa nunca deixarão de ser miúdos traquinas, as mulheres desses homens fingem que o mundo é perfeito e que esses a quem chamam seus homens não são a encarnação de pequenos e eternos diabretes. Lobo Antunes entremeia por entre frases complexas e reflexões tantas vezes demasiado profundas um humor de filigrana, que se descobre nas palavras dançantes e nos retratos pintados a lápis de cores da infância, como se hesitasse entre a maturidade inatacável e a tentação pela rebeldia juvenil. Não sei se tal será propositado – pretendendo o autor tudo abarcar, tudo ser, nada deixar por explorar – ou se Lobo Antunes não será mesmo tudo isso, um furacão de maturidades e ingenuidades, um turbilhão de sentenças circunspectas e de gargalhadas alarves. Tudo isto é Lobo Antunes, tudo isto atrai e afasta os que o adoram e odeiam, tudo isto é a cola que une os cacos de um escritor genial e – muito por esse excesso de genialidade – inacessível.
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Obrigado Leonard - Dance me to the end of love











