Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
1966 - A vingança tarda mas não falha
Uma mentira muitas vezes repetida tende a assemelhar-se à verdade. Aplicando isto à selecção inglesa arrisco dizer que há mais de 20 anos que esta não tem qualidade para ser uma equipa de topo, mas a “nomenklatura” futebolística insiste em apelidá-la de recorrente candidata a tudo o que é título. Ainda assim, é uma equipa onde a alma da Old Albion vive sempre e isso é muito mais do que por vezes é ser uma boa equipa. A Alemanha jogou futebol cerebral, mecanizado, tricotado na perfeição, a Inglaterra debateu-se contra as suas insuficiências com alma de leão.
Depois, a história, que dizem não se repetir, surgiu qual tragicomédia rindo-se na cara dos ingleses e vingando para todo o sempre a Alemanha de 1966. Um remate de Lampard que beijou a barra com o fervor dos amantes que pecam, ressalta para lá da linha de golo no decurso da emocionante queda da bola. Mas o factor humano, essa incontornável fonte de desgraças, negou o desejado grito que as gargantas inglesas soltaram na sua ingenuidade. O futebol não imita a vida, simplesmente limita-se a aperfeiçoá-la. E depois, apesar de um superlativo início de segunda parte dos ingleses, cumpriu-se a eterna maldição de Gary Lineker: são 11 contra 11 e no final ganha a Alemanha.


