Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
José Maria e o mata bicho
Vivemos num país de estranhos heróis, de gente que sem saber ler nem escrever se torna famosa por dá cá aquela palha. Quero crer que a causa das coisas no que a aberrantes endeusamentos se refere é um misto de falta de gosto, de completa ausência de espírito crítico e de um particular gostinho sádico por glorificar cidadãos que não jogam com o baralho todo e que na maior parte das vezes tem dificuldade em fechar bem a tampa. O senhor de cima, José Maria Martins de seu nome, ex-polícia e emérito causídico das causas perdidas e inenarráveis, pertence ao universo daqueles que o povo classifica como “aquele é que os tem no sítio”, “a ele ninguém o cala” e demais epítetos do género. Hoje, tive o privilégio de partilhar o balcão de um café com esta sumidade. Pediu um bagaço que devorou em dois goles (o chamado penaltie a dois tempos), emitiu logo de seguida o bem lusitano “aaaahhhhh”, misto de sofrimento provocado pela passagem de tamanha carga etílica pela tubagem e de alívio sentido por quem mata um vício há muito entranhado. Para fechar em beleza, José Maria contemplou na televisão uma notícia sobre a Telefónica, a PT e etc. e tal, merecendo-lhe a reportagem o seguinte comentário de elevada complexidade reflexiva: “Filhos da puta dos espanhóis!”. Tenho para mim que o Carlos Silvino não está em bons lençóis.

