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Revista de imprensa - Isto vai dar para o torto

Quinta-feira, 05.08.10

 

Não sou particularmente apreciador das análises de sua eminência, o Dr. Pacheco Pereira. Há ali um misto de narcisismo com uma incompreensão prática do que é a vida das pessoas normais e o Portugal do cidadão médio. Narcisismo que pode ser definido como “uma perturbante mistura de arrogância, de sensação de se ter direito e de uma incapacidade de empatizar”. Deixem-me dizer-vos que a definição não é minha, li-a hoje de manhã na praia, num livro do psicólogo Richard Weissbourd, cidadão que tem a pretensão de evitar que os pais transformem os seus rebentos em futuros monstrinhos da sociedade. Bom livro deste Senhor, “Os pais que desejamos ser”. Patético, dirão alguns, um livro de auto-ajuda para a parentalidade. Talvez, mas foi o resultado de fazer tempo entre uma urgência e uma consulta, perdido numa estante de livros de um hipermercado pouco dado à literatura. Foi a flor que melhor me cheirou no meio do entulho.

 

 

 

Bom, mas voltando a Pacheco Pereira, que o sol e o mar têm o efeito de me fazer misturar diversos assuntos, como o Whisky, a cerveja e a caipirinha. Ah, nos próximos dias não, que graças a dois monstros da medicina, estou no terceiro antibiótico da semana. Pelo menos já oiço dos dois lados, o que me vai permitir um Sudoeste em Dolby surround. Mas o Pacheco, voltemos ao Pacheco! Apesar de não prestar qualquer tipo de vassalagem à personagem, acto próprio e obrigatório de quem se considera minimamente culto e virado para as actividades intelectuais, a crónica que ele verteu a semana passada nas páginas da “Sábado” sobre as férias dos portugueses, foi do meu agrado. As férias que antes eram uma merecida libertação das obrigações de um ano de esforçada labuta, são agora um escape desesperado às turbulentas águas que agitam um barco em forma de país que mete água por todos os lados. O Pacheco teve olho e alguma piada, coisa que acaba por ser perfeitamente antagónica à sisudez do génio de barbas. Certamente um descuido, nada de preocupante. Fiquemos então com umas pérolas do douto Pacheco.

 

“A vida de todos os dias é tão pobre afectivamente, tão despovida de conforto psicológico que ir a banhos e não ver o patrão, o escritório, s colegas de trabalho, os doentes para quem trabalha na saúde, as criancinhas para quem trabalha na educação é um bálsamo para a existência.”

 

“ (…) Não sei se o «rei dos gnomos» é culpado ou inocente, mas foi Portugal, o mesmo Portugal que está de férias, que produziu o “rei” e os “gnomos”, vindos da província profunda que vai a banhos na Nazaré. Pelas praias emergem, entre pais e filhos, os sinais de enorme grosseria e má educação que existem por todo o lado. Muito pouca gente lê nas praias e quase todos são estrangeiros. As estatísticas sobre a baixa qualificação dos portugueses percebem-se muito bem em férias: consumos de baixa qualidad, sem critério, muito menos o do preço, lixo, berros, tererés e fitas de pano à volta do pulso. É, há qualquer coisa de anómalo em tudo isto, e parece-me bem que, quando regressarem às irritações outonais, isto vai dar para o torto.

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 15:49


2 comentários

De Francisco Carvalho a 05.08.2010 às 18:38

cá para mim estes últimos posts devem-se ao excesso de antibióticos... por isso, toca a ter mais otites e a frequentar os médicos errados...

De bolaseletras a 06.08.2010 às 00:20

Eheheh, essa está boa, Francisco. Talvez sim, mas acho que se devem mais ao facto de estar de férias e com mais disponibilidade para reflectir. No restantes meses muitas vezes o tempo é pouco para aprofundar os temas, confesso. Trabalho, criança, bulício do dia a dia...venham mais férias!

Um abraço

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