Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
William Faulkner, um homem simples
De nome completo William Cuthbert Faulkner, o escritor norte-americano recebeu o prémio Nobel da Literatura em 1949. Posteriormente, venceu ainda o National Book Awards e dois prémios Pulitzer. Faulkner é conhecido por ser um escritor difícil que produziu grandes obras, mas reconhecidamente herméticas para o leitor médio. A dificuldade em penetrar no mundo construído por Faulkner deve-se às mudanças constantes e bruscas dos tempos narrativos e à descrição de múltiplos pontos de vistas por diferentes personagens, muitas vezes em simultâneo.
Da minha experiência (li “O som e a fúria” e “As I lay dying”) Faulkner é de facto um escritor hermético e que nos desafia ao limite, sobretudo porque nos exige a máxima concentração, nos impõe dedicação exclusiva. Actualmente pedir isso a um leitor é pedir o impossível, o tempo para leituras concentradas e com uma dedicação sem distracções é uma utopia do passado. Faulkner foi um escritor doutra época para outras épocas. Era um homem tímido e de gostos simples, que costumava dizer preferir a companhia dos seus amigos caçadores e da gente simples da sua fazenda aos holofotes dos grandes salões e eventos literários. Em 1950, foi enquanto arava a sua terra que recebeu a notícia de que ganhara o prémio Nobel referente ao ano anterior. Um homem simples de escrita difícil.

