Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Pérolas da blogosfera - O alcatrão manchado de sangue
Chover no molhado é voltar ao tema da assassina condução nas estradas portuguesas, da falta de respeito pelas regras de boa e segura convivência estradal e, consequentemente, do vergonhoso desprezo pelas vidas alheias dos inocentes que cumprem as regras, na ingénua esperança que isso os poupe à guerra civil a que se assiste em cada curva perigosa, em cada lomba com pouca visibilidade, em cada traço contínuo. O Luís Januário (http://anaturezadomal.blogspot.com/) insiste em chover no molhado. Na ingénua esperança de que a água um dia destes fure a teimosa e dura pedra.
"Quinze dias a conduzir num país normal chegam para, no regresso, nos escandalizarmos com o comportamento dos nossos condutores. Não respeitam os sinais de trânsito nem os limites de velocidade, buzinam continuamente, se por acaso lhes vemos as caras parecem zangados ou ameaçadores. Estacionam nos paseios tornando a vida dos peões uma aventura e interditando a via pública às crianças. O exemplo vem sempre de cima: as passadeiras, os traços contínuos e as marcações em geral empalideceram incitando à transgressão; as altas figuras do Estado e as pequenas figuras locais com direito a viatura e chofér sentem-se acima d lei e circulam a altas velocidades; a Brisa manda nas auto-estradas e tem direito a obras intermináveis, tornando o trajecto da A1 um martírio taxado. A polícia caça multas vergonhosamente, sem nenhuma missão pedagógica ou de censura, parecendo movida apenas pelo cumprimento de metas de auto- financiamento. Entretanto os inocentes sofrem, ficam estropiados, morrem.
No primeiro dia de chuva os incêndios deixaram de ser notícia e voltaram os acidentes nas estradas, um bombardeamento na A 25 com famílias desfeitas e a infelicidade disribuída por vários hospitais. Estamos condenados a isto. Aos incêndios, ao crime nas estradas, às condolências e à lamúria. Os mais corajosos já partiram e os pudicos já se calaram. Eu escrevo estas coisas como quem se lava, mas a água vem suja e faltam-me as palavras."


