Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Paulo, guarda lá o pinheiro para o Natal que o Matishow e o levezinho voltaram
Há teimosias que, aliadas à irracional crença e ao entranhado fanatismo, nos fazem acreditar num determinado jogador, esperar por ele todo o tempo do mundo. Desde o dia do Sporting-Fiorentina em Alvalade que me apaixonei por Matias Fernandez, foi nesse jogo que passei a chamá-lo Matishow. Nesse dia vi um jogador que chamava todo o jogo a si, eléctrico, dono de uma técnica pouco comum e de um controlo de bola em velocidade que há muito não via em Alvalade. A juventude, o peso da responsabilidade ou a falta de aposta no jogador no momento certo hibernaram todas essas qualidades. Esta época já vi uns laivos de Matishow, este jogo mais alguns, já vai pedindo e tendo mais bola, assumindo enfim o jogo, requisito essencial para deitar cá para fora toda a sua qualidade. A equipa ganha com esse acréscimo de qualidade, o público agradece a magia, a esperança renasce no deserto da descrença leonina.
O Sporting dominou o jogo com a ajuda preciosa de Matias e ganhou o jogo com o regresso do goleador Liedshow, já a mostrar-nos toda a sua manha de goleador. A ajudar estiveram um Valdéz mais efectivo nas suas acções, fisicamente mais competente e tacticamente mais enquadrado e que se percebe também gosta de ajudar a defender, o que oferece mais segurança e consistência à equipa. A defesa muito bem a defender e também muito competentes a atacar os laterais (sim, a minha ovelha negra predilecta, o bom do Abel, até fez uma assistência para Liedson). Maniche continua a beneficiar a equipa com a sua experiência, visão e qualidade de passe, Yannick não pára de melhorar, aplicando a sua velocidade com mais critério, faltando-lhe agora melhorar o controlo de bola. André Santos insiste em afirmar-se e Patrício transmite agora imensa segurança a toda a equipa. Paulo Sérgio parece finalmente ter encontrado o seu sistema de jogo, a equipa sobe de rendimento porque também se sente mais segura no esqueleto táctico que a sustenta. A confiança cresce e a partir daí tudo é possível. Vá rapazes, there´s no way back, agora é sempre para a frente!


