Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
As I lay dying (pérola 3) - A casa perdida na estrada
Isto é Faulkner puro e duro, este é o estilo de um escritor imortal. Nada mais me cabe dizer, há apenas que beber estas palavras até que a sede seja saciada.
“Disse à Addie que não dava sorte viver à beira da estrada, quando ela passou por aqui, e ela disse para quem quis ouvir, como as mulheres fazem: - «Então põe-te a andar.» - Mas eu disse-lhe que não dava sorte nenhuma, porque o Senhor faz as estradas para a gente as calcorrear: por isso Ele as estendeu pela terra fora. Quando Ele quer que as coisas sejam para andar, fá-las ao comprido, como as estradas e os cavalos ou as carroças, mas quando quer que as coisas fiquem quietas onde estão, fá-las de cima para baixo ou de baixo para cima, como as árvores e os homens. Por isso, ele não fez os homens para viverem nas estradas, porque o que aparece primeiro, digo eu, a estrada ou a casa? Alguma vez O viste a abrir a estrada ao lado de uma casa? digo eu. Não, nunca, digo eu, porque só os homens é que não descansam enquanto não fazem as casas onde toda a gente que passa de carroça lhes pode cuspir na soleira, deixando as pessoas desassossegadas e com vontade de se irem embora para outro lugar, quando o que Ele quer é que fiquem quietas onde estão como as árvores ou as searas de milho. Porque, se Ele quisesse que um homem andasse sempre em movimento de um lado para o outro, não o teria feito deitado ao comprido sobre a barriga, como as cobras? Está-se mesmo a ver que é o que ele teria feito.”


