Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
As I lay dying (pérola 4) - Da loucura
“Às vezes não tenho a certeza de quem tem o direito de dizer quando um homem é louco e quando não é. Às vezes penso que não há ninguém completamente louco tal como não há ninguém completamente são até a opinião geral o considerar assim ou assado. É como se não fosse tanto o que um tipo faz, mas o modo como a maioria das pessoas o encara quando o faz. (…) Mas também não tenho a certeza de que alguém tenha o direito de dizer o que é loucura e o que não é. É como se existisse um ser dentro de cada homem que está para lá da sanidade e da insanidade e que assiste aos actos sãos e insanos desse homem com o mesmo horror e o mesmo espanto”.
Não tenho a certeza de ter captado por inteiro esta abordagem de Faulkner sobre a loucura. Quero crer que a loucura é daqueles estados só definíveis ou explicados por quem já esteve desse outro lado do espelho. A questão é saber se quem já andou por esse universo paralelo alguma vez regressa completamente ao chamado mundo são. É como a morte, muito se escreve sobre esse outro estágio da existência sabendo-se que quem de facto a conheceu nunca se pronunciou sobre ela. Creio não haver maior prova de que o desconhecimento e a ignorância nunca foram impedimento para teses de doutoramento.


