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A causa das coisas

Terça-feira, 30.11.10

 

 

Assistimos à guerrilha civil pelas favelas do Rio de Janeiro e esquecemos a origem das coisas. Aliás, parece que anda muita gente distraída sobre a causa das coisas. Os problemas só surgiram agora? O tráfico, a violência e os bairros de lata sem lei nasceram ontem? Não. Então porquê agora toda esta impressionante acção militar? Marcelo Coelho, jornalista brasileiro e membro do Conselho Editorial da “Folha” de São Paulo não andou a dormir. Como sempre, e para não variar, a causa das coisas não é aconselhável. Se há quem diga que o sonho comanda a vida, eu diria que, cada vez mais, a fachada comanda a política. Fiquem então com o texto de Marcelo Coelho.

 

"«Esta é uma guerra que nós não começamos». A frase das autoridades do Rio de Janeiro tem sido repetida como um mantra desde o início dos tumultos – e, de tão repetida, passa a me deixar desconfiado. Não me sai da cabeça o fato de que todo o problema só começou depois das eleições.   Assisti nesta quinta-feira a um trecho da entrevista, no Jornal das Dez, com dois ex-integrantes do Bope.   Toda a fraseologia era no sentido de que estamos em guerra, que haverá baixas, mas que agora ou vai ou racha. Um repórter queria saber, afinal, qual foi “o estampido” desses acontecimentos. Pelo termo, ele entendia “estopim”. Afinal, as UPPs já existem há bom tempo, os presídios de segurança máxima, as milícias, nada surgiu do dia para noite.

 

 

 

O “estampido”, para mim, é muito simples. Chama-se Copa do Mundo de 2014. E Olimpíadas de 2016. Não haverá “brilho para o evento” sem que se limpe a área antes. Naturalmente, é uma ilusão achar que se possa, por maior que seja o banho de sangue, acabar com todos os bandidos do Rio de Janeiro. Os mortos serão substituídos por outros. Não lamento, aliás, a morte eventual dos “soldados” do tráfico. Guerra é guerra. Já se criou, entretanto, o clima de que a morte de civis e crianças pode ser considerada um dano colateral. Escudos humanos, etc. E bola pra frente. Copa e as Olimpíadas, é claro, “valem o sacrifício”... De resto, uma coisa é promover matanças sem nenhuma perspectiva de solução política a médio prazo. Outra é a “guerra”. As UPPS dão legitimidade, na opinião pública, para incursões que pareciam apenas retaliações esporádicas e inúteis.

 

Mesmo que não se matem todos, negociar um acordo com o crime organizado –que é a maneira como, acho eu, esses casos sempre terminam—pode ser mais fácil quando o inimigo está enfraquecido.          Tudo o que escrevo aqui são simples especulações de um cético. Um cético pode estar errado, mas tem ao menos o hábito de não engolir facilmente o que lhe disserem as autoridades. Ainda mais quando são do tipo daquelas que, conforme vídeo fartamente divulgado no youtube, vociferam contra um jovem favelado dizendo-lhe para não “vir com papo de otário” em cima delas."

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 21:14


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