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Nos meandros da amizade feminina

Sexta-feira, 28.01.11

 

 

Um dos mais estranhos fenómenos que assombram a existência humana prende-se com os mistérios da amizade feminina. Se a mulher pode ser o mais dócil ser que a divina providência ou o choque de astros colocou neste paraíso à beira da destruição, conseguir que um grupinho de mulheres atinja os mínimos olímpicos que norteiam uma vulgar amizade entre homens é obra do diabo. Podemos vê-las abraçadas, irmanadas, inseparáveis nas férias, percorrendo o mundo de mãos dadas, mas sabemos que no final, mais tarde ou mais cedo, a coisa vai descambar e terminar em acusações mútuas, choro e ranger de dentes, ou mesmo, em situações limites, escalpes à unhada ao bom estilo do mais violento western. Explicações não as encontro, excepções miraculosas são quase tão difíceis de vislumbrar como uma agulha no palheiro.

 

Há quem diga que a culpa é nossa, bicho manhoso que lhes atiça os ciúmes e lhes deturpa as meninges, mas estou convencido que basta encontrarem-se numa festa usando o mesmo vestido que a peixeirada surgirá fulminando uma sólida amizade de muitos anos. Diria que das poucas coisas que as mulheres poderão aprender com os homens passa por aqui, por absorver os mecanismos de uma amizade firme, sincera e desinteressada. Quais os segredos para alcançar esse patamar? Simples: centrar toda a conversa em bola, mulheres (OK, podem falar de nós também), bola, mulheres, e bola, mulheres. Ah, e tudo bem acompanhado por muita cerveja, tremoços, moelas a trielas e pica-pau do lombo, que é para quando os vastíssimos temas de conversa se esgotarem terem que fazer com a boca. Assim reduzem-se as oportunidades para dizerem mal umas das outras, minhas amigas. Vá, não precisam de me agradecer, também estou cá para isso.

   

 

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publicado por bolaseletras às 18:28


4 comentários

De Teresa a 29.01.2011 às 16:35

É esquisito e até anti-natural mas acontece, naturalmente, como dizes.

A mulher tem ânsias que os homens nem sequer vislumbram e buscam encontrá-las na sua melhor amiga. Só este apodo já é suficiente para provocar calafrios a alguém com os pés na terra, certo?

Eu acho que é uma questão genética e o facto de termos o mesmo aparelho genético (não esse ;) os cromossomas XX).

Enquanto que no homem a mulher procura a diversidade e ambiguidade XY entre mulheres isso não existe e acabamos por ter de conviver (ler, aturar) os feitos e defeitos de si própria.

Se connosco já somos a exigência que se conhece - queremos o rabo da Jen Lopez, as mamas da Giselle, a verruga da Megan Fox, o umbigo de qualquer uma das Victoria Angels... imagina ter a certeza da perfeição onde ela, também, não existe.

Aí dá-se o cataclismo - o da peixeirada ou o da indiferência porque a mágoa é tão grande que não nos deixa usufruir o que simplesmente está disponível, como acontece nos homens.

E depois há aquela necessidade de se dissecar cada coisa, cada gesto, cada palavra que provocarevoluções físicas semelhantes a uma máquina de flippers.

Tenho um mail engraçado (vou tentar encontrar e depois mando para o mail) em que temos uma página das considerações de uma mulher sobre o que terá acontecido com o dia dele porque ele está esquisito - tudo é especulado, cada gesto dissecado e depois as conclusões inevitavelmente dantescas de quem dá cabo dos neurónios com tanta paranóia.

A versão dele (bem no final do texto e página A4) é "tive um dia de merda mas pelo menos terminou com uma ***".

Só pode ser um defeito genético porque inteligência não nos falta, não te parece?

De bolaseletras a 30.01.2011 às 12:38

Teresa,

indo para o final do teu comentário que como sempre enriquece o post, concordo que inteligência não vos falta, mas também não sei se será mal genético. E se for uma questão de inteligência emocional deficitária no que respeita à relação com os mesmos cromossomas? Também conheço esse mai, é fantástico e muitas vezes o espelho da vossa excessiva perfeição e sede de tudo analisar e explicar.

Bjs

De Teresa a 30.01.2011 às 14:29

Eu acho que tudo isto vem de trás, aliás desde o "6º dia", em que ao sermos criadas por um Homem e no final de tudo ;) - e à boa maneira de Quem só queria era sofá, uma mini e um bom jogo de futebol italiano com cheerleaders americanas - foi um ver se te avias de encher Eva com tudo aquilo que iríamos precisar mas sem grande preocupação na "organização" :D. E foi o que viu até hoje!

No caso do post em apreço - A Amizade - a confusão prende-se com uma sociedade que nos quer desapegados enquanto nos inunda de séries de amizades perfeitas com o mesmo gosto para sapatos e homens... É como veres "A Casa da Pradaria" num Tsemnúmero dum bloco de apartamentos cinzento na China. Consegues ouvir os tlintins dos flippers?

Conheces?
http://www.youtube.com/watch?v=QzmMB8dTwGs&feature=related

Bom Domingo!

De bolaseletras a 30.01.2011 às 15:16

Teresa,

De facto, competir com a amizade das perfeitas amigas do "Sex and the City" não é pera doce:). A canção conhecia, mas não ouvia há muito, muito bom recordar. O video é um beijo sem fim. Grazie!

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