Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Nos meandros da amizade feminina
Um dos mais estranhos fenómenos que assombram a existência humana prende-se com os mistérios da amizade feminina. Se a mulher pode ser o mais dócil ser que a divina providência ou o choque de astros colocou neste paraíso à beira da destruição, conseguir que um grupinho de mulheres atinja os mínimos olímpicos que norteiam uma vulgar amizade entre homens é obra do diabo. Podemos vê-las abraçadas, irmanadas, inseparáveis nas férias, percorrendo o mundo de mãos dadas, mas sabemos que no final, mais tarde ou mais cedo, a coisa vai descambar e terminar em acusações mútuas, choro e ranger de dentes, ou mesmo, em situações limites, escalpes à unhada ao bom estilo do mais violento western. Explicações não as encontro, excepções miraculosas são quase tão difíceis de vislumbrar como uma agulha no palheiro.
Há quem diga que a culpa é nossa, bicho manhoso que lhes atiça os ciúmes e lhes deturpa as meninges, mas estou convencido que basta encontrarem-se numa festa usando o mesmo vestido que a peixeirada surgirá fulminando uma sólida amizade de muitos anos. Diria que das poucas coisas que as mulheres poderão aprender com os homens passa por aqui, por absorver os mecanismos de uma amizade firme, sincera e desinteressada. Quais os segredos para alcançar esse patamar? Simples: centrar toda a conversa em bola, mulheres (OK, podem falar de nós também), bola, mulheres, e bola, mulheres. Ah, e tudo bem acompanhado por muita cerveja, tremoços, moelas a trielas e pica-pau do lombo, que é para quando os vastíssimos temas de conversa se esgotarem terem que fazer com a boca. Assim reduzem-se as oportunidades para dizerem mal umas das outras, minhas amigas. Vá, não precisam de me agradecer, também estou cá para isso.


