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Antes havia fartura de tudo

Terça-feira, 01.02.11

  

 

Creio que já por aqui, algures perdido no Bolas e Letras, falei no mestre Chico, pescador algarvio de muitas águas e muitos anos. Dizia ele aos velhos do Restelo que ressuscitavam nas tertúlias da desgraça as “riquezas” de uma passado salazarento, a seguinte e certeira frase: “Antes havia fartura de tudo, até de fome havia fartura”. O Maradona, O blogger de Portugal (http://acausafoimodificada.blogs.sapo.pt/), aprofunda essa cegueira de lamentar os tempos que foram em troca dos tempos de hoje. Dizer mal sem critério é muito portuguesinho, bem sabemos, mas há tradições que são para abater. Porque o que é demais é demais. Fiquem com o nosso Maradona:

  

 

"Volto a contar a minha história, que me continua a impressionar: quando andava na escola primária, na primeira metade da década de oitenta, às portas de Lisboa, em 35 miúdos da minha turma, 20 passavam fome; desses 20, uma boa porção chegava às aulas de manhã a cheirar a álcool; muitos, muitas vezes, andavam descalços; e havia mesmo quem fumasse algo mais que cigarros. Toda a gente sabia isto tudo porque esses eram tempos em que não existia pobreza envergonhada (apesar da inusitada publicidade que o bispo de setúbal, o bispo comunista, deu à expressão): ninguém ali tinha sequer dinheiro suficiente para comprar a moral necessária para envergonhar a pobreza. Nenhuma dessa gente chegou ao ciclo preparatório; aos 14 já andava tudo na pesca e na droga; aos 18 anos, com o primeiro filho nos braços, se se juntassem todos e fizessem uma colecta, não conseguiriam reunir os 32 dentes normais na boca de um adulto; e hoje em dia, só dois é que parecem ter menos de 50 anos e, coerentemente, aos 37 já estão praticamente todos na confortável categoria de avôs.

 

Os "nossos governantes" são uma merda, volto a admitir que sim; seria uma vergonha considerar menos que isso quando confrontados com um caso como o descrito. Mas quando é que crescemos o suficiente para aprender que ao desprezarmos o presente estamos também a jogar no lixo um caminho que foi feito? E temos a garantia de que, daqui por 20 anos, sem os "nossos governantes" estaremos tão melhor em 2030 relativamente a 2010 como estamos hoje comparados com 1980?  Duvido muito de quem coloca essa fé toda, quase idólatra, nos nossos não governantes." 

 

 

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publicado por bolaseletras às 19:06


4 comentários

De Teresa a 02.02.2011 às 11:58

Sim, dizer que antigamente é que era bom é caso de memória curta e desonestidade intelectual.
Não sou do tempo (ou das circunstâncias) que relata o Maradona (tenho de dar uma vista de olhos pelo blog... mais tarde) mas quando vejo o que mudámos e melhorámos nos ultimos anos pergunto-me "Valerá a pena desmenti-los?".
Grata que haja quem ache que sim, e não cala. É que uma mentira repetida à exaustão torna-se... pois - uma má verdade.
O mérito não é só nosso, é também do Mundo que evoluiu imenso nos últimos anos mas termos acesso à evolução não tem preço.
Ainda acho que a visão tem a ver com a realidade vivida e com aquilo de que que se tem, verdadeiramente, saudade e o "querer" (era o queres) voltar ao antigamente. No teu caso de que sentes saudades? O que achavas que antigamente é que era bom?
Agora é só pegar nessas respostas e não generalizar para tudo. Aí reside a dificuldade e a desonestidade que referi acima...

De bolaseletras a 02.02.2011 às 22:36

Bom tema para reflectir, Teresa...de que sinto verdadeiramente falta? Um dia farei um post sobre isso...mas logo à cabeça, diria que dos tempos em que nem tudo era para ontem, em que a voracidade não dominava todas as áreas da sociedade, em que o ritmo de vida era mais lento. Não vivemos, corremos. Esquecemo-nos de respirar, de olhar, de parar para pensar.

De Teresa a 03.02.2011 às 18:01

Sentes, portanto, saudades do Ser em vez do TER. - Mereces a Naomi - luz verdíssima para a moça ;) -



Eu, também, do que sinto saudade é de sentimentos e sensações. Pode ter a ver com a idade e aquela ideia de segurança e tranquilidade que se tem antes de sermos nós a tomar as rédeas da nossa vida... Ás vezes em casa a fazer zapping relembro os serões a debulhar milho no Norte (o único ruído era a conversa aqui e ali) ou dos fins de tarde num jardim que havia à frente de casa da Tia Fernanda nos Olivais.


Ah, e lembro com saudades quando não se podia falar ao telemóvel no metro - nem em lado nenhum - fazia o voltar para casa um preâmbulo do relax e harmonia que ali esperava... Mas nem vou entrar por aí porque senão tenho de chamar a Blake Lively ;) para te compensar....

E quando A Bola não era jornal diário e o futebol discutido em tons de jocosidade e desportivismo digno de um Leão da Estrela... ok, vou-me embora porque senão nem os Anjos de Charlie me valem...

De bolaseletras a 03.02.2011 às 19:25

E tu mereces o Brad Pitt ou o que mais te aprouver, Teresa:).

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