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Roger Waters, Deolinda e o padre Vítor

Segunda-feira, 28.02.11

 

 

Desconfio que muitos de nós não fazemos ideia do que será a vida de boa parte dos nossos concidadãos. Tenho a certeza que a geração sem remuneração que não tem emprego mas que tem dinheirinho para ir aos concertos dos Deolinda e que ainda esgota os bilhetes para os concertos do Roger Waters e da PJ Harvey, nunca sonhou que houvesse gente que desse o pão aos filhos depois de passar o dia a esfolar-se num qualquer lugar que não fosse um escritório asseadinho, com ar condicionado e, de preferência, com acesso privilegiado ao facebook para as merecidas e democráticas pausas na labuta diária.

 

Desconfio que muitos de nós não imaginamos o que seja ganhar o pão sentindo na pele o pão que o diabo amassou, limpando a merda dos outros, desinfectando os escarros alheios, esterilizando o desrespeito de quem olha para eles como se nada fossem. Tenho a certeza que a geração sem remuneração desconhece que haja quem sofra lágrimas de sangue para ganhar metade do que valem os seus odiados recibos verdes, que andam por aí pessoas que trabalham 12 ou mais horas para levar para a mesa dos filhos metade dos seus vergonhosos subsídios de desemprego. Desconfio que os Deolinda saibam tanto disto como o padre Vítor Melícias sabe o que é viver de acordo com os votos da pobreza franciscana.

 

 

Fotografias de Vítor Cid 



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publicado por bolaseletras às 19:14


3 comentários

De Teresa a 01.03.2011 às 17:23

Abordaste uma questão que muito me intriga - como é que a geração à rasca, como li hoje num jornal, tem tanto dinheiro?
A assistência aos festivais de Verão é o que é... não há bicho que venha cá cantar que não tenha a sala cheia e cheia desde a 1ª hora da venda dos bilhetes - precisava de reservar um quarto para um colaborador da Empresa, em Coimbra, quando cá estiveram os U2 - e da Pensão Estrelinha à Quinta das Lágrimas estava tudo overbooked...
Nunca se viu tanto carro novo ("e dos bons" como dizia a minha Tia Lurdes) à porta das Universidades e Institutos...

Continuo sem perceber porque trazes os Deolinda à baila ;) mas tendo consciência das dificuldades que apontas não deixa de fazer confusão o que observo.

De bolaseletras a 01.03.2011 às 19:01

É este choradinho tão portuguesinho que me irrita, Teresa. Têm o suficiente para os seus prazeres, mas para lhes valer o pão já não têm, e aí entra a queixinha, a lamúria, a culpa é sempre dos outros e não da falta de esforço próprio. Os Deolinda são apenas um símbolo da coisa, nada pessoal contra eles;).

De Teresa a 01.03.2011 às 21:00

"Quem não chora, não mama..."

Quantos desses pais que descreves primeiro não passam tudo isso para que os Principes e Princesas possam exibir-se junto dos pares?!

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