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Pérolas da blogosfera - Ir à Segurança Social

Quarta-feira, 30.03.11

 

 

Não sou grande apreciador dos escritos do Henrique Raposo nem das suas ideias provenientes de uma direita arrogantemente senhora de si, moralista e nada preocupada com realidades distintas do seu código genético. Ainda assim, nos tempos que correm, não posso negar que as situações por ele descritas no texto abaixo sucedem cada vez mais num país habitado por gente que não gosta do cheiro a suor. Nem que para isso tenha de recorrer a subvenções do Estado para comprar desodorizantes da Hugo Boss.

 

"Acabo de vir da Segurança Social. Toda a gente devia passar por ali. É para ver como é uma parte do país. Uma parte do país que não vai deixar de votar em José Sócrates. É, sinceramente, um país que apetece abandonar. O país é cada vez mais isto e a vontade de emigrar cresce. Havia ali uns senhores, vá, patuscos que estavam a falar de um carregamento de DVDs que tinham para vender; mas, calma, tinham a senha de RSI na mão. Havia ali uns jovens com ar de quem passa 4 horas no ginásio; mas, calma, com senha do RSI na mão. Podem levantar halteres no ginásio no meio das babes, mas já têm distensão muscular congénita quando é para levantar móveis ou assim? Havia ali meninas, nos seus 20 e 30, a dizer que não recebiam o suficiente da SS. E um sujeito olha para aquilo e pensa "mas não vais trabalhar porquê? É que aqui mesmo nesta rua há lojas a precisar de pessoas? Não?".

 

Entretanto, o meu padrinho vai ter de começar a pagar os seus medicamentos. Entretanto, os meus primos que precisam do subsídio de família (porque faz mesmo falta) estão à nora. Desculpem lá, pardon my french, mas o meu pai não me educou para esta merda."

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 18:31


9 comentários

De Teresa a 31.03.2011 às 11:14

Ainda bem que a ele lhe apelou ao sentido de humor porque quando trabalhei nas imediações da Afonso Costa ficava sempre deprimida e com vontade de chorar quando constatada com aquela (i)realidade.

Nem sequer me fazia confusão o eles estarem ali para receber ou reclamar o dito ou outro (que ali era e é depositado todos os meses por mim e por ti) mas perguntava-me (já lá vão alguns anos) para onde caminhava um País que albergava seres tão poucochinho - ciganos, pretos e brancos de uma sub-cultura assustadora, uma falta de educação atroz que SABEM que tudo lhes era devido, com palmadinhas nas costas (e dinheiro) de um Estado que não via o que estava a alimentar. Quando a Polícia tinha de intervir - todos os dias pelo menos uma vez por dia - para acalmar os ânimos eu via como em vez de se defender quem estava a ser atacado - o trabalhador, o contribuinte do outro lado do balcão - a condescendência e caldos de galinha eram para o prevaricador, o que insulta o que agride...

A mim, também, não me educaram para esta...

De Anónimo a 31.03.2011 às 16:06

teresa, interessante o seu ponto de vista. ja que o benfica-sporting esta resolvido..., podiamos ir por ai. eu houve uma altura em que tinha que la ir todos os meses...e para pagar! nunca para receber... e hoje em dia lido com essa escumalha todos os dias. não me leve a mal, digo escumalha que é o politicamente correcto. para mim são lixo humano. mas isso sou eu...
venham de lá essas ideias, que o mané não se importa e ate gosta. afinal, para que serve um blog ?
e o que me chateia é o nome da avenida... um nome tão bonito, de um estadista com H grande( :) ) ali...com aquela clientela...



pc

De Teresa a 31.03.2011 às 17:35

Estar ali, viver por ali é como viver um Sucker Punch sem a loiraça que o Mané ainda há-de colocar aqui a uma sexta-feira ;).

A sério. E olha que fui criada muito perto dali antes das Olaias serem Olaias mas pegaram no pessoal da Picheleira, deram-lhes casas mais giras do que a que os meus pais estavam a pagar, mas tiraram-lhes o resto inclusivé a noção de "bater a bolinha baixa que não estás a falar com a tua irmã".

Assustador e a tendência é para piorar. Já passánmos a fase do politicamente correcto; foi aliás por aí que tudo começou a estragar.

Até já,
Teresa

De bolaseletras a 31.03.2011 às 18:20

Os vossos comentários e análise davam um filme, como dizia o outro. Se o país tem sido demasiado condescendente com os "mais desfavorecidos", não lhes estimulando a vontade de se desenrascarem por eles próprios? Sim, sem dúvida. Se o país tem andado a filtrar mal aqueles que deveria considerar "mais desfavorecidos"? Indubitavelmente. É preciso mais fiscalização, regras com bom senso, é preciso ter "esperto nos cabeço". Que é para que a educação que nos deram não se perca no meio da merda que nos rodeia.

De P a 04.04.2011 às 03:54

As elites portuguesas, desde sempre, reservaram um grau tal de pobreza para as classes trabalhadoras e pequena burguesia que a falcatrua e o oportunismo eram meios absolutamente necessários para sobreviver. Assim estes defeitos tornaram-se qualidades que as famílias transmitem aos filhos como sendo qualidades superiores.
D. Carlos, que dizia Portugal ser uma "piolheira", aquando da implantação da república preparava-se para inaugurar o Bussaco Palace, ( as prioridades nacionais são sempre interessantes). Na Suécia, 10 anos antes (1900) , a taxa de analfabetismo era de 1% ( UM por cento ), Em Portugal em 1930 -segundo Filomena Mónica - era de 80% (OITENTA por cento ). Quereis assim ou com mais molho?

De P a 04.04.2011 às 04:04

Um conselho - após as vossas visitas à SS mergulhem no C.C. A. ou no El C.I. para restaurar a vossa empatia com os (realmente) criados à Sua imagem e semelhança - La gente guapa, cheia de dentes.

De P a 04.04.2011 às 04:13

Provérbio índio ( adaptado) - « Antes de criticar alguém calça os seus chanatos (mocassins) durante 7 dias »
E de Honoré de Balzac - « Os medíocres nunca compreende nada que ultrapasse a mediocridade das suas vidas. »

De P a 04.04.2011 às 04:32

Há uns 3 ou 4 anos leio na 1ª pag de um diário em letras gordas que, « o atraso português deve-se às baixas qualificações dos trabalhadores.» Pouco depois leio nas páginas INTERIORES de um semanário económico, numa caixa pequenina, que estudo de organismo estrangeiro concluíra que o tal atraso se devia à baixa qualidade( não lembro de o adjectivo era baixa ou medíocre), das elites económicas nacionais. Neste Verão de 2010 leio numa caixa, igualmente discreta e interior, a posição de Portugal entre os países da OCDE com o maior nível de desigualdade de rendimentos entre os mais pobres e os mais ricos e Portugal figurava entre o México e a Turquia em segundo lugar de maior desigualdade. Só já não lembro quem era 1º. E neste Verão também li, em sítio igualmente discreto a posição de Portugal no nível de eficiência das universidades da UE e figurava em penúltimo lugar entre a Bulgária e a Eslovénia ou a Eslováquia.
Um aforismo chinês diz que « o que está em cima é igual ao que está em baixo. » Muito verdade! E no caso português é de ir à S.S. ou vir a este post para o comprovar.

De bolaseletras a 04.04.2011 às 23:04

Caro P,

Tantas palavras acabam por dispersar as ideias que pretende expressar? O que pretende com tanta eloquência e torrente de citações? Convencer-me que os subsídios atribuídos a gente acomodada são culpa minha, de quem se mata a trabalhar? Get to the point, my friend.

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