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Nas asas de Baco - à descoberta do néctar dos deuses

Domingo, 24.05.09

  

Um dos prazeres que desenvolvi com o avançar dos anos foi o de apreciar um bom vinho. Tinto de preferência, branco ou verde se o peixe ou marisco o impuserem. Quando olho para trás e relembro as zurrapas, vinhos da casa e tintos da pipa que bebi nos tempos de faculdade e nos que se seguiram, lamento tanto desperdício acumulado. Desperdício de prazeres, porque beber um mau vinho e abdicar de um vinho de qualidade é próprio de quem desperdiça as coisas boas da vida. Idiotices da malta nova.

Hoje em dia, no momento de uma refeição que não a dos almoços a correr para voltar à labuta diária, o vinho assume-se como o protagonista principal da refeição. Se um bom vinho atenua os efeitos de um prato menos conseguido, um excelente prato perde o seu encanto se o vinho que o acompanha não faz jus ao petisco que devia abrilhantar.

 

Sexta à noite, dois casais amigos jantam num restaurante de bairro. A comida surpreende pela positiva, a farinheira e a linguiça com cogumelos para entrada antecedem umas belíssimas bochechas de porco grelhadas e um excelente bacalhau assado, petiscos que se põem bem a jeito para um tinto à altura. A carta de vinhos não é vasta mas tem algumas boas opções, os preços das botelhas apresentam-se muito agradáveis (menos de 50% acima dos preços da garrafeira ou hipermercado). Para começar, jogo à defesa. Aposto num velho amigo que nunca me deixa ficar mal, o Valle Pradinhos tinto de 2005 mostra a sua raça.

 

Ainda a procissão vai no adro e eis que as gargantas clamam por mais uma garrafita que sacie a insuportável secura. Alguns desconhecidos na lista, chegou o momento de arriscar. Qualquer coisa me leva para a Bairrada, o nome Quinta da Dôna 2003 (tinto, claro) não me é estranho e soa bem. Encomendamos a coisa e entregamo-nos nas mãos da fortuna, isto, é nas asas de Baco. A rolha é sacada, o simpático empregado afasta-se sem dar o vinho a provar (nada é perfeito) e eu, velho hábito, levo a garrafa ao nariz...

 

Campainhas!!! Faíscas radiantes!!! O aroma licoroso e envolto em passas invade-me todo o nariz, anseio por vertê-lo no copo! Enquanto as damas se perdem na conversa eu e o meu açoreano preferido deliciamo-nos com tão surpreendente pomada! Provavelmente, o melhor vinho tinto que provei nos últimos tempos. Pela mesa passa o dono da casa, estaca surpreendido. Há que anos que não via ninguém pedir este vinho, nem sabia que ainda o tinham, revela. Mais tarde, o anfitrião confidencia-nos que na terra dele Quinta da Dôna é conhecido como o Barca Velha da Bairrada. Építeto justificado, garanto-vos!

Depois de uns bons dedos de conversa conseguimos convencer o orgulhoso bairradino a vender-nos noutra garrafinha, a última, para levar e mais tarde recordar. Encomendámos ainda umas tantas mais que ele iria tentar obter junto dos conterrâneos. O preço, percebi mais tarde, é outra benfeitoria do restaurante, pois estas garrafas vendem-se mais caro em algumas garrafeiras e hipermercados (22 € bebida no restaurante, 19 € para levar). As garrafas, se vierem, são para dar a beber ao nosso bom amigo, especialista macaense de vinhos, o grande Banda G! São também para a CEO, digníssima Confraria Etnográfica dos Olivais.

 

Descobrir um bom vinho, deixar que o acaso nos conduza a um néctar dos deuses é o maior prazer que um apreciador pode sentir. Como defende o grande Banda G, há que provar, provar, provar! Só assim se alcança a felicidade e o conhecimento vínico. Ontem faltei a mais um encontro da confraria CEO, este post é para os caros confrades! Que as provas tenham sido únicas, que os brindes tenham feito tilintar a alma! Ah, e que as nossas mulheres nunca fiquem viúvas!

 

 

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