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Arturo Pérez-Reverte

Terça-feira, 09.08.11

 

 

Nada lera até hoje de Arturo Pérez-Reverte, o que parecendo uma falta grave é, na minha perspectiva egoísta, uma enorme alegria. Não porque o escritor espanhol desmerecesse o meu tempo e dedicação de leitor, mas, precisamente ao contrário, porque descobri um universo literário que estou convencido muito prazer me irá proporcionar de futuro. Muitos dizem que com “O Assédio” Pérez-Reverte atingiu o pico da sua genialidade, posso apenas confirmar que ainda não tendo chegado a meio do livro, este será dos mais bem escritos e delineados livros que já li. Acreditem que não é de ânimo leve que faço estas afirmações, é mesmo fascinado por uma história fabulosamente contada, por me deparar com personagens com uma densidade psicológica que há muito não tinha o prazer de encontrar, por sentir que as reflexões sobre a condição humana que pairam como nevoeiro nos parágrafos de “O Assédio” não são forçadas, mas sim naturais consequências das acções e omissões, das vergonhas e dos actos heróicos de um inesquecível caleidoscópio de homens e mulheres.

 

Não vou debruçar-me muito sobre quem é Pérez-Reverte, não vos maçando mas também não vos poupando uma visita ao Google e à Wikipedia (nos dias de hoje, parece que toda a sabedoria por lá anda, o chamado conhecimento na hora que se fosse uma cadeia de hambúrgueres se poderia chamar fast knowledge). Para conhecer o homem e as suas ideias sem o filtro da subjectividade humana, fui ler algumas entrevistas do escritor. Ficam aqui algumas das ideias que creio confirmam estarmos perante um homem de convicções, sem mordaças na boca e de espírito crítico bem aguçado – meio caminho andado para a boa literatura.

 

 

 

"La clase política de España y de Europa en general, no está a la altura de las circunstancias".

 

“Un político ignorante, como hemos tenido ministros de Cultura y de Educación con un nivel cultural muy bajo, se torna peligroso. Son técnicos, pero con base muy poco sólida. Mi miedo siempre es que la ignorancia unida al poder político, y la incultura unida a la incapacidad de legislar, produce efectos devastadores.”

 

“Mi impresión es que el siglo XX fue el siglo de la esperanza, donde había revoluciones por hacer, había cambios por intentar, victorias por conseguir, luchas por librar, pero esa esperanza fue derrotada. La segunda mitad del siglo XX y el principio del siglo XXI, ha sido la derrota de las grandes ideas que podrían haber trazado un horizonte más digno para la sociedad. Hemos perdido la batalla, somos siervos de un sistema que nos controla y nos asfixia, por eso me temo que ahora cuando hablan de movimiento, revolución, de sublevaciones, el asunto es que ya no es posible hacer una sublevación ideológica. No hay ninguna ideología que mueva a los oprimidos, a los pobres, a los parias de la tierra. La revolución de ahora solo puede ser la de la desesperación, la del rencor, la del ajustar cuentas. De darse una será mucho más brutal, porque no aspira a cambiar la sociedad, sino que aspira a vengarse.”

 

E para terminar, nas palavras infra de Pérez-Reverte sobre a situação política actual de Espanha, substituam por favor o pós-franquismo pelo pós-25 de Abril e a Espanha real pelo Portugal real. Se encontrarem alguma diferença digam-me por favor, só para ver se sou eu que ando distraído:

“A los políticos de ideología, con impulso, con ganas de transformar la sociedad que vivimos en el posfranquismo, la ha rebasado una casta política desvinculada de la realidad y que se han convertido en una especie de "funcionarios" de la política con muy poco contacto con la vida real, que no han trabajado nunca, que nunca han tenido un trabajo normal, que han entrado de jóvenes en el partido político y están divorciados de la realidad social, de la España real. Ese divorcio, entre casta política y la España real, es lo que ha provocado los problemas de los últimos años que se refleja en cultura, en sociedad, en todo.”

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publicado por bolaseletras às 15:25


2 comentários

De bolaseletras a 11.08.2011 às 22:27

Teresa,

obrigado pelas simpáticas palavras, mas o brilhatismo é todo do Pérez-Reverte, eu apenas tive a sorte de encontrar a análise. Mas que se adapta na perfeição aos dias de Londres, não restam dúvidas. A vingança serve-se fria mas com o sangue a ferver.

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