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O assédio - a traição da carne

Domingo, 04.09.11

 

 

"Emudecem as guitarras, aplaudem os homens, lançando inconveniências em todas as línguas da Europa. Imóvel, com a cintura dobrada para trás e uma mão ainda ao alto, a bailarina passeia os seus olhos negríssimos pela assistência. Vê-se que está desafiadora. Segura. Sabe que, com o desejo à sua volta espicaçado pela dança, agora pode escolher. O seu instinto ou a sua experiência – é jovem, mas isso tem pouco a ver – dizem-lhe que qualquer um dos presentes colocará dinheiro entre as suas coxas, bastando-lhe pousar nele o olhar. (…) Talvez um dia aquela mulher morra de fome numa guerra futura, quando ficar murcha ou velha. Mas isso não acontecerá nesta. Basta ver os olhares lúbricos que se cravam nela."

 

As armas das mulheres em tempo de guerra são tudo menos convencionais. Os jogos de cintura e a volúpia das formas podem muito mais para desgraçar soldados desprevenidos do que obuses de má pontaria. Pérez-Reverte descerra o véu desse encantamento por alguns recantos de “O Assédio”, historiando os muitos casos em que as mulheres de Espanha se aliaram ao amor pelo inimigo francês, quer por medo, quer por interesse, ou, acredito também, pela seta irresistível do próprio amor. Essa seria a pior traição para um povo, além da traição da bandeira sentir na carne a traição da própria carne. Como tal, o castigo para as que eram resgatadas passava pela humilhação eterna e em muitos casos a morte. Valeria mais morrer de fome do que pelo chicote? Triste destino.

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publicado por bolaseletras às 12:22


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