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Um novo olhar

Quarta-feira, 07.09.11

 

 

Cada vez mais, como se estivesse em causa o cumprimento de rigorosas metas para o alcance da infelicidade absoluta, tendemos a olhar para o lado negro da vida, para a diabolização de todo e qualquer acontecimento. Recebemos as palavras com escudos e capacetes, como se a vocação original destas fosse pregar-nos à parede. Um sorriso raramente é interpretado como um sorriso, haverá sempre segundas intenções por detrás da gratuitidade daqueles dentes brancos e afáveis. Qual equipa do fundo da tabela que luta para não descer, o nosso campo de acção é o meio campo defensivo, passamos o tempo a chutar bolas para a bancada evitando ter de criar momentos para mais tarde recordar. Mais valia a doce ingenuidade das crianças que por entre uma cinzenta multidão de adultos só têm olhos para o que brilha, para a cor que incessantemente buscam. Mais valia descermos e deixarmos de lutar. Talvez num mundo menos competitivo ressurgisse um pouco da criança que já fomos.

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publicado por bolaseletras às 18:24


5 comentários

De Teresa a 08.09.2011 às 09:17

Todos nos devemos agarrar a qualquer coisa da criança em nós e pô-lo em prática todos os dias - torna-se um oásis são na insanidade que nos rodeia...

Brincar, sorrir, fazer caretas a uma criança - na rua, nos transportes, em casa - também funciona.

De Pedro Nogueira a 08.09.2011 às 16:28

Completamente de acordo.
Always look on the bright side of life :)

De bolaseletras a 08.09.2011 às 18:25

Faz tanta falta rirmos como crianças, esquecermo-nos inocentemente de procurar o mal nos outros...

De Teresa a 08.09.2011 às 21:37

Eu durante esta e a próxima semana estarei num novo local de trabalho. Onde estou agora tem uma área de serviço que conta com duas colaboradoras (brancas e portuguesas) de manhã e uma colaboradora (preta e, presumo, cabo verdeana).
Como é um sítio com pouco barulho inútil de fundo o silência permite-me ouvir a dia-a-dia destas colaboradoras.
De manhã é o drama, o stress contínuo o negrume do xaile negro - embora se bem pesadas as coisas cada uma tem mais - daquilo que achamos fundamental para nos fazer sorrir (boa posição, um reconhecimento algo exorbitado, os filhos criados e já com Universidade feita, casinha própria em Massamá e outra na terra, carro e marido também empregado) - do que a colaboradora de nome impronunciável da parte da tarde (pelas horas que trabalha deve ganhar uns míseros 100 € mensais (a sério), tem dois filhos em idade escolar ainda pequenos, mora numa casinha num bairro ali para os lados da Damaia e o marido ora imigra or está cá sempre na corda, na incerteza de quem não sabe se hoje há para o pão - mas os sons que emite são de felicidade: nunca vi a senhora atender o telefone sem que envolvesse riso, nunca esta senhora me respondeu "vamos andando" ao "como está?" e quando uma vez me pediu para tirar cópia dos BI dos filhos para a escola fê-lo com um sorriso de quem pede um favor mas sem aquela espertice saloia "sabe, menina teresa, é para ver se a acção social nos dá mais algum. temos de nos saber desenvencilhar" (de quem sobrecarrega tudo e todos).

A sério vivo na expectativa da chegada desta senhora. Gosto de gente simples que não tem a mania de saber governar o País nem o Sporting melhor do que ninguém ;).

Por isso como as crianças. Mané... e os simples.

De bolaseletras a 08.09.2011 às 21:50

Percebo bem o que dizes, Teresa. É como quando vamos áqueles destinos turísticos muito catitas mas em que a população fora dos resorts, vive pouco menos do que remediadamente, mas sempre com um sorriso. Como se não conhecer os luxos fúteis fosse meio caminho andado para a felicidade. Quanto mais conheço gente com uma vida desafogada mais me vou convencendo que quanto mais se tem e se quer ter menos horas de felicidade sobram. Talvez seja a ironia da vida.

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