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Nunca esquecer

Domingo, 11.09.11

 

 

O dia 11 de Setembro de 2011 será para mim sempre fonte de memórias contraditórias. Se por um lado me devolve a recordação de um ano inesquecível, em que trabalhei juntamente com 4 lindas colegas (3 inteligentes psicólogas e uma inesquecível secretária) num cubículo abafado do ISCTE, será inevitável associar esse dia a um punhado de horas de estupefacção, de horror e de tristeza que perpassava por essa sala e pelos rosto dessas lindas mulheres. Nesse dia de perda da inocência e de reconhecimento de que o mal é uma rosa de negros espinhos que nunca morrerá, aquele cubículo de muito trabalho, muita camaradagem e fervilhante amizade (ui, que quase queimava) ficou para sempre manchado por uma mácula que nunca nenhum de nós esquecerá.

 

A fotografia de cima foi imortalizada como a “American Pieta” e recorda-nos o padre Michal Judge, o capelão do departamento de bombeiros de Nova Iorque. Tornou-se a mais famosa vítima dos ataques, ao entrar na torre norte depois de ministrar os últimos sacramentos às pessoas que definhavam nas ruas. Um dia para nunca esquecer.

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publicado por bolaseletras às 11:55


4 comentários

De Teresa a 12.09.2011 às 14:20

Não esquecer certo :) mas há que começar a largar um pouco esta asfixia do 11 de Setembro que se pretende.

Se cada nação nos impuser os seus dias trágicos da mesma forma, vivemos numa contínua depressão que não beneficia ninguém...

Relembro uma cantora espanhola que foi casada com um toureiro (Paquirri) que morreu, em directo, na Praça de Toiros de uma cornada. Ana após ano, davam a morte dele em directo e os telejornais abriam com essa notícia.
Um ano ela teve de vir pedir publicamente para pararem com isso que para ela era como se ele morresse todos os anos, um reviver daqueles momentos trágicos.

Sinto imenso o que se passou, essa pietá vem-me à memória constantemente, assim como a imagem daquele homem sozinho que se atirou (sabe-se agora que para dar mais realce à coisa os outros que também se atiraram foram apagados da foto).

Esse dia não desparecerá da memória de ninguém - a minha filha tinha 3 anos e já cresceu a saber que aquilo pode acontecer (enquanto que eu com 33 não fazia ideia que podia; nesse dia, no espaço de minutos eu perdi a pouca ingenuidade que tinha, à minha filha foi-lhe pura e simplesmente negado) mas para darmos esse relevo, ano após ano, outros Países sofreram tambem perdas dantescas e o mundo não pára.

Também eram filhos, esposos e amigos de alguém. Just my 2 cents ;)

De bolaseletras a 12.09.2011 às 21:39

Concordo que não devamos fixar-nos na tragédia do evento, tornando tudo o que nos reodeia em respostas a essa tragédia (terá sido o erro dos americanos nos últimos 10 anos). Ainda assim, acho que reflectirmos uma vez num ano nio que se passou, no que pode ser feito para evitar repetições da tragédia, não será demais. Sobretudo não será demais honrar esses mortos. Mas com limites, claro, percebo bem o sofrimento da cantora espanhola. Há formas de fazer as coisas, há sobretudo o bom senso. Às vezes;).

De Teresa a 13.09.2011 às 09:51

Reflitamos. Mas conscientes que outros povos sofredores não têm os media a correr para se juntarem ao show-luto e que também sofrem e também precisam que reflitamos...

Porque quem reflecte - por norma - não precisa de ter todos os canais com os aviões a bater nas torres gémeas nem estas a desmoronar de 30 em 30 minutos e os que não reflectem até aproveitam este overboard mediático para alimentar o seu anti-americanismo.

Bom senso precisa-se. E os Americanos são os primeiros a precisar imenso dele.

Imagina o que era o Japão mandar parar o mundo e repetir over and over Nagasaki e Hiroshima... Imagina o que era os Polacos mandarem parar o Mundo e repetir over and over Auchwitz e o seu terror (no outro dia estava com um grupo de jovens que pensava que Auchwitz ficava na Alemanha, imagina), imagina o que era a Palestina a parar todos os dias o mundo para que reflicta no que ali se passa há 40 anos...

Demos aos mortos (todos eles) as nossas orações e a nossa estima infinita. Mas não os ressuscitemos todos os anos...

De bolaseletras a 13.09.2011 às 10:17

Teresa,

Vincaste bem o teu ponto, tendo a concordar contigo. Tudo o que é demais é fastio. Há sem dúvida uma tendência para tornar esse passado trágico e visualmente espectacular em voyeurismo nu e cru. Digamos que parcimónia precisa-se, é verdade.

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