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O Assédio - O mal

Sexta-feira, 07.10.11

  

 

“Rostos onde o crime se insinue, embora a sua experiência o faça concluir que não há traço exterior que permita distinguir um malvado, uma vez que a atrocidade, aquela que foi cometida nas raparigas ou qualquer outra, está à mão do primeiro que passe. Não se trata do mundo estar cheio de inocentes, mas do contrário. Está povoado de indivíduos capazes, todos eles, do pior. O problema básico de qualquer bom polícia é atribuir aos seus semelhantes o grau exacto de maldade, ou de responsabilidade no mal causado, que lhes corresponde. Essa, e não a outra, é a justiça. Aquela que Rogelio Tizón compreende como tal. Imputar a cada ser humano a sua quota específica de culpa e fazê-lo pagar, se for possível. Impiedosamente.”

 

O modo como se entrelaçam na mente humana os intrincados mecanismos do mal será um dos maiores mistérios da humanidade. A razão que levou o pacífico cidadão a esfaquear o vizinho, o clique que conduziu o marido e pai extremoso a estalar o taco de basebol no crânio do amante da prima, as forças ocultas que levantaram do assento do automóvel o pacato automobilista, qual sonâmbulo, qual autómato, com o objectivo único de apertar o pescoço daquele taxista empedernido, as razões são pura cinza que se esvai na fogueira do comportamento humano. Depois, sobrará sempre a dúvida se haverá homens genuína e geneticamente maus, ou se a todo o momento nos poderemos transformar e abraçar as trevas da condição humana. Pérez-Reverte deu-nos um vislumbre da resposta sem nos entregar as certezas em bandeja, até porque no fim acabaremos sempre por duvidar, não fôssemos nós homens, não fosse o assassino um de nós.

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publicado por bolaseletras às 18:57


1 comentário

De Teresa a 07.10.2011 às 22:18

Todos nós temos o tal polícia em nós. O perigo é quando há à mão uma arma - ou um cargo - que torne o libertar do bicho mau em algo mortal e atroz.

E isso vê-se no desprezo por quem tem o que nós não temos, a agressividade com que se reage à alegria quando estamos miseráveis, a indeferença para com o invisual porque eu não estou sentado no lugar reservado, a falta de respeito do automobilista que vê a fila mas avança até ao limite do traço contínuo e mete à campeão.

O Mundo está perigoso! Eu costumo dizer a uma colega que este colega ou aquele não me surpreenderia se um dia chegasse e tivesse a foto dele na 1ª página do Correio da Manhã e quejandos... ela horroriza-se sempre com essa minha simplificação mas, mais vezes do que eu gostaria, algo acaba por me dar razão. A única coisa que os faz passar desapercebidos no escritório é a falta do tal poder ou da tal arma que lhes permitiria libertar o bicho. Ou o isolamento com a vítima...

Que livro (assustadoramente) fascinante.

Bom fds :)

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