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La Coca - o turista acidental (ou acidentado)

Terça-feira, 29.11.11

 

 

"- Isto é do pior! Uma estrangeirada! Cambada de pobretanas! Sabe do que eles estão à espera? Já lhe digo. Nós fazemos aqui um serviço de almoços da melhor qualidade, tudo fresco, a preços como ninguém é capaz. Pois não senhor! Os pelintras ficam sem comer até às três ou quatro da tarde, e mal a padaria abre vão lá comer um pão, cinquenta gramas de queijo, uma garrafa de água, e ficam espichados ao sol até à hora do jantar, que está incluído na meia-pensão. E então é um espectáculo! Já viu porcos quando se lhes deita a lavadura?"

 

Esta peça discursiva de um humilde estalajadeiro do Moledo espelha na perfeição o humor sarcástico de Rentes de Carvalho? Humor? Não, o autor prima por uma cirúrgica capacidade de mostrar os rendilhados das idiossincrasias lusitanas, as suas inacreditáveis ridicularias, os becos de um portugalzinho que mantém o país na periferia de uma Europa que não deixa de nos achar patuscos. Por exemplo, aquilo de que se fala à boca cheia, que devemos apostar no turismo porque somos um país com essa inequívoca aptidão colide persistentemente na nossa forma de fazer as coisas, nas nossas vistas curtas, na insistência em remediar em vez de inovar. São os turistas que têm de se adaptar aos nossos desejos e não a nossa oferta que tem de mudar para atrair mais e melhores turistas. Enquanto não mudarmos, seremos matéria prima bruta para a triste realidade retratada por Rentes de Carvalho.

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publicado por bolaseletras às 18:19


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