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A cana

Sexta-feira, 16.12.11

 

Fotografia de Tom Gralish, da série que lhe deu o prémio Pulitzer (Philadelphia's Homeless, 1985)

 

Nem todos estamos fadados para sermos cidadãos dedicados ao voluntariado. O meu percurso demonstra que não sou certamente alguém que anseia pelos fins de semana de banco alimentar e afins. Nada contra, só a favor, simplesmente não é a minha praia. Defendo que dar a mão a quem mais perto está de nós é mais natural, que se todos seguíssemos esse caminho provavelmente resolvíamos muitas das tristezas e desgraças de quem nos rodeia. Há uns bons anos, em vésperas de um Natal gelado, decidi com dois amigos olivalenses passar a noite a distribuir champanhe e bolo rei pelos sem abrigo das ruas de Lisboa. Martim Moniz, Avenida da Liberdade, terminando no Marquês. A gratidão, a sofreguidão, o conformismo perante um destino que aceitaram sem recriminações e com as lágrimas já secas. Risos. Rimos muito abraçados a alguns daqueles seres humanos que a vida decidiu abandonar. O voluntariado puro e duro acabou para mim naquela noite. A dor da impotência é demasiado forte, o atenuar momentâneo da solidão ou da fome não tem o condão de salvar ninguém. Dar a cana e não o peixe. Dar a cana e não o peixe.

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publicado por bolaseletras às 17:47


7 comentários

De Pedro Nogueira a 17.12.2011 às 15:23

Completamente de acordo.
Até parece que essas pessoas só tem necessidades na quadra que se avizinha.
Porque será?

De bolaseletras a 18.12.2011 às 00:06

O meu ponto nem é bem esse, Pedro. Passa mais por achar que se nos preocupássemos em estender a mão a quem está perto de nós se calhar havia muito menos gente a necessitar de ajuda em todo o mundo.

De Pedro Nogueira a 18.12.2011 às 21:44

Sim, sim. Eu percebi e concordo plenamente que por vezes nos preocupamos com determinadas causas sociais, esquecendo os mais próximos. Porventura vezes demais até.

De Teresa a 17.12.2011 às 23:21

São tantas as razões que levam alguém a ser Sem-Abrigo que não basta a cana mas um estudo mais aprofundado e uma atitude mais pro-activa do que meia-dúzia de corações bem-intencionados.

Eu no meu caso ajudo mas tenho uma tendência em querer saber quem estou a ajudar e com quê. Parece um contra-senso não é? Mas já me desapareceu a inocência de pensar que tudo são bons samaritanos só a trabalhar para o próximo. E dar de comer a malandros não.

Sim, Pedro, há aproveitamento mas também há mais generosidade porque as acções estão mais "visíveis". Quem ajuda instituições o ano inteiro sabe que eles precisam todo o ano e que nesta altura gostamos de reforçar com o que podemos para que também eles possam ter uma Ceia de Natal.

Nem a propósito esta semana publiquei no blog o seguinte testemunho:

http://igotthesuninthemorning.blogspot.com/2011/12/christmas-with_15.html


Bom fim-de-semana!

xox

De bolaseletras a 18.12.2011 às 00:12

Teresa,

Como referi ao Pedro, nada tenho contra acções de solidariedade e de ajuda a quem necessita. Quis apenas vincar que às vezes nos preocupamos com causas sociais, esquecendo pessoas que estão muito próximas da nossa porta (o vizinho, o primo, o colega). Se todos déssemos a mão a quem está logo ali, não haveria tanta necessidade de ajuda. Mas pessoas como tu que fazem questão dedicar boa parte do seu tempo a ajudar quem necessita fazem muita falta e são de louvar, digo-o de coração.

De Teresa a 18.12.2011 às 15:44

Obrigada Caríssimo.

Nunca se tendo a certeza (absoluta) de como aqueles que "nos" recebem (as nossas doações, a nossa ajuda, o nosso tempo e até a nossa chateação ;)) sentem a nossa presença - quase que imposta nas suas vidas - é sempre com grande emoção que recebemos o carinho de quem reconhece, de quem acha que deve fazer alguma diferença...

Abraço e Bom Natal!

De bolaseletras a 18.12.2011 às 22:13

Um bom Natal!!!!!

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