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Mensagens natalícias das gentes dos Olivais - até para o ano!

Sexta-feira, 06.01.12

 

 

Para terminar a série sobre os textos alusivos ao Natal escritos pelos olivalenses, nada como fechar com chave de ouro com as palavras de um bom amigo que, tendo já passado dos 40, mantém boa parte da inocência/pureza/ingenuidade (já perceberam que não sei bem o que lhe chame) da doce infância. Obviamente que ele “infantilizou” um pouco o discurso, mas acreditem, muito do que há de puro e instintivo nas crianças reside no coração deste eterno rapaz. Fiquem então com esta lufada de ar natalício para nos despedirmos daquilo que deveria efectivamente interessar no Natal: as crianças.

 

“O Natal é bom sim senhor, mas era muito melhor quando éramos miúdos. Mal dormíamos na véspera de Natal, num constante vai-vem entre o quarto e a sala, para ver se o barbas, não o do Benfica, já tinha entregue as suas encomendas. Todos nós nos lembramos de uma ou duas prendas, que foram as que mais encheram os nossos minúsculos corações de crianças. Lembro-me particularmente de duas:

 

A Garagem

Corria o ano de 19… andava eu na primária. Nesses anos havia pouco dinheiro, muitas restrições e contracções monetárias. Os meus pais tinham dito que este ano seria um natal mais pobrezinho. À célebre pergunta “o queres tu para o Natal”, a resposta foi a natural para qualquer criança. Não queria só uma prenda, queria uma palete carregada de brinquedos. Nesse 25 recebi apenas uma garagem, daquelas com rampas e uma lavagem automática de esponjas. Mas fiquei tão contente pois era exactamente o que me faltava e nem sequer pedi tal prenda. Tinha muitos carrinhos mas não tinha onde os guardar. Queria eu tanto brinquedo e nem me lembrei do que me fazia mais falta e mais feliz.

 

A bola

Corria o ano de 19… andava eu de bibe. Nesse ano tinha pedido várias prendas, para não variar. Mas havia uma que eu queria mais que todas - uma bola. Daquelas verdadeiras em “catchum” ou Catchumbo”. Era um brinquedo que não era barato. No dia 25 abri todas as prendas que recebi, mas aquela que eu mais queria, a bola (não o jornal), foi a primeira a ser aberta e a única com que brinquei na rua a seguir á missa de Natal. Não era único a brincar com ela, era eu e os meus irmãos, os miúdos do prédio ao lado do meu e do prédio em frente. Todos maltratavam e pontapeavam a desgraçada da bola de “catchumbo”. Ainda hoje brinco com esse brinquedo e partilho o mesmo com todos os meus queridos amigos. Nunca recebi um brinquedo que durasse tanto tempo."

 

 

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publicado por bolaseletras às 17:57


5 comentários

De Teresa a 06.01.2012 às 18:27

Feliz Natal, António. Para ti e para a malta dos Olivais!
Que mantenhamos este ano - que parece já ter começado há meses, tal o ritmo que lhe (im)põem - sempre a ilusão desse Natal de pequeninos a brilhar nos nossos corações.

Abraço,
Teresa

E obrigada por teres partilhado o teu Natal. Estás proíbido de te baldares a esses jantares ;).

De Teresa a 06.01.2012 às 18:36

"E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...(...)
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
-Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Compreenderás que a tua é a única no mundo. Voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:

...

De Teresa a 06.01.2012 às 18:36

- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.


E voltou, então, à raposa:


- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.


- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...


- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar."


Principezinho de Saint Exupery

De bolaseletras a 06.01.2012 às 22:07

Obrigado Teresa, há anos que não lia o Principezinho! E devíamos lê-lo muito mais, sobretudo parar para pensar sobre o que lemos. E apreender, beber as palavras e o perfume que delas exala. Obrigado pela prenda para o blog.

De bolaseletras a 06.01.2012 às 22:02

Obrigado, Teresa, feliz Natal para ti e os teus. Que as memórias e os sentimentos de criança nos acompanhem sempre. E não te preocupes, o Natal dos Olivais voltará a ser partilhado;).

Abraço

António

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