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Ernest Hemingway

Domingo, 22.01.12

 

 

Chegar aos 37 anos e ler o primeiro livro de Hemingway não será muito elogioso para alguém que se considera um convicto devorador de boa literatura. Chegar até aqui sem conhecer nada do homem é razão para o descrédito total como aspirante a ser minimamente culto. Preocupado com tudo isto, fui ler umas coisas sobre Ernest Hemingway. Dizem os entendidos e a lenda que se gerou em torno do homem e do escritor, que deve ter sido difícil para os seus contemporâneos gostar dele. Tinha, além de um feitio inconstante e complicado, a influência castigadora de uma infância e adolescência marcada por pais severos e castradores. Combinando os seus intrincados genes com esse meio ambiente sufocante, não é de estranhar que Ernest Hemingway se tenha auto-atribuído “a missão de encarnar a figura do intelectual macho, que tanto vivia mergulhado na guerra, no perigo ou na aventura”. Pelo menos é o que diz Miguel Sousa Tavares no prefácio de uma das inúmeras biografias do escritor.

 

 

 

Apesar dessas características tão marcantes que o acompanharam ao longo da vida, afirma o conhecedor Sousa Tavares que Hemingway “viveu a vida como uma festa, uma dádiva dos Deuses. E viveu a escrita como a consequência da vida e de acordo com a mesma regra moral: tirar disso um imenso prazer. Desistiu quando já não se sentiu capaz de fazer com a vida e a escrita «uma coisa totalmente nova e mais verdadeira do que qualquer coisa que está viva e é verdadeira». Hemingway suicidou-se a 2 de Julho de 1961, na localidade de Ketchum, Idaho. Segundo Sousa Tavares (quem mais), “matou-se por ter vivido demais e já nada adivinhar pela frente que se pudesse comparar à vida grandiosa que vivera”. Pensava eu, na minha ingenuidade, que o Miguel era o maior especialista vivo sobre as causas dos sucessos e insucessos do futebol portista. Afinal, o homem também faz uma perninha em Hemingway.

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publicado por bolaseletras às 23:13


2 comentários

De Teresa a 23.01.2012 às 10:03

O que é que estás a ler?

É que eu não tenho nada ideia do Hemingway que Tavares descreve...

Não tenho nada a ideia que tenha vivido a vida como uma festa (quite the opposite - nota-se nele o olhar e palavra desesperados de quem sabe que o futuro é trágico e brutal e não havia como escapar) e nunca terá sentido o dom como uma dádiva dos deuses que lhe deu imenso prazer, mas antes como algo que tinha de fazer até chegar o tal dia:


“There is nothing to writing. All you do is sit down at a typewriter and bleed.”



Mas ele - Tavares - é o entendido.

Eu só li porque o meu pai achava que se deveria cultivar lendo essas almas conturbadas e eu para agradar-lhe lia e t(r)emia. Era muito nova para saber (ainda não havia Google ;)) que ele já tinha (finalmente) encontrado o seu fim...

De bolaseletras a 23.01.2012 às 18:33

Acabei de ler o "Adeus às armas", sobre o qual escreverei brevemente. Não sei se o MST terá ou não razão, mas estou tentado a ler a biografia do homem, deve valer a pena.

Boa semana!

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