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"O adeus às armas" - Ernest Hemingway

Sexta-feira, 17.02.12

 

 

Pior que só agora ter lido o meu primeiro Hemingway é não ter ficado esmagado ou eternamente maravilhado com o “O Adeus às armas”. Uma obra maior, sem dúvida, sobretudo pela importância do testemunho histórico de um ex-combatente da I Guerra Mundial. Hemingway sobe a grande altura quando nos coloca no teatro de guerra, quando a sua escrita seca, directa mas em que as palavras parecem sempre escolhidas a dedo (nem uma a mais, nem uma a menos) nos faz sentir o cheiro do sangue, nos convence que tudo aquilo é um infantil jogo de crueldade, em que a irracionalidade do ser humano se revela em todo o seu esplendor. Ou então não estamos perante jogo nenhum, mas perante a irremediável e incorrigível natureza humana. O próprio Hemingway o disse como só ele o saberia dizer: “Nenhum homem sabe, realmente, aquilo que é. A única coisa que sabe é do que é feito. E o homem sabe que é feito de uma violência primordial”.

 

 

 

Por outro lado, esta obra não é feita só de guerra e das tristezas da natureza humana, mas também de amor, de muito amor, de uma história de amor a meu ver demasiado cor de rosa, demasiado imediata, um amor que nasce do nada, sem limites e incondicional. Parece irreal acreditar que duas pessoas se podem amar como as duas personagens criadas por Hemingway. É essa crença num amor quase fantasioso que turva um pouco um livro em que as trincheiras da guerra me atraíram muito mais do que as setas do cupido (a crueldade que é dizer isto, mas é mesmo assim). Não pensa assim Baptista-Bastos e provavelmente a maioria dos críticos literários, pois como escreve o primeiro no prefácio à obra “(…) «O Adeus às Armas» é eleito como um intenso poema de amor e de resgate; é lido como a Bíblia de uma geração que perdeu todos os heróis, que deixou de acreditar em todos os mitos e que só aceita a esperança do imponderável”. Eu por acaso tinha-me ficado pela guerra e neste caso dispensava o amor, mas se calhar é por isso que eu tenho um blog e o Hemingway tem um Nobel.

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publicado por bolaseletras às 18:44


5 comentários

De Teresa a 19.02.2012 às 11:57

Não tenho a menor dúvida que se Hemingway existisse hoje preferiria ter. em vez da genialidade e regularidade de criação que o Nobel impõe, um blog para escrever o que lhe desse na real gana e mandar este e aquele (incluindo os que acham que pelo simples facto de algo escrito por ele merecer ser lido em atitude de contemplação ;)) para o real raio que os parta ahahahahah

Um Nobel pela honestidade, António!

Bom fim-de-semana,
Teresa


* eu sempre me senti esquisita quando não gosto dos Masters... sou assim de uma medianice assustadora que não sabe reconhecer o que é bom, parece. E nunca leio as introduções; só depois de ler o livro ahahah

De bolaseletras a 19.02.2012 às 15:05

"Um nobel pela honestidade".
Já ganhei o dia, Teresa. Tu és tudo menos mediana (e agora deixa-me ser um filho da mãe de um vaidosão), até porque tens um enorme bom gosto nos blogs que frequentas - eheheheh.

Bom Domingo!

De Teresa a 19.02.2012 às 18:18

An Hug for an Hug :likeit:

:)

De Miguel Marques a 13.10.2012 às 16:12

O meu romance preferido. Se possível dá uma vista de olhos na critica que lhe faço em

http://www.cemiteriodoslivrosperdidos.blogspot.pt/

De bolaseletras a 14.10.2012 às 18:20

Boa crítica e bom blog, Miguel, vou aditar à badana aqui do lado. Um abraço.

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