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Um bocadinho que seja

Quinta-feira, 22.03.12

 

 

Não sou arruaceiro nem reacionário, não sou viciado na constante crítica do sistema vigente e até acho que os meus pais me deram umas mãos cheias e decisivas de bons conselhos. Mas irritam-me os conformados, enervam-me os que se queixam de tudo e de todos menos de si próprios. Desiludem-me aqueles que tudo fazem para não desiludir quem lhes diz como viver, o que decidir, em que direcção ir. Enfastiam-me os yes man, os que repetem frases feitas e inofensivas. Dói-me acompanhar anos e anos a fio a evolução zero de amigos e colegas que podiam ser muito mais mas se contentam com o “cá vamos andando, com a cabeça entre as orelhas”. Não é preciso mudar o mundo, não se pede que mudem de país, de emprego, de corte de cabelo. Pede-se apenas que acreditem que podem ir um pouco mais além. Um bocadinho que seja e a malta já ficava satisfeita.

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publicado por bolaseletras às 18:18


13 comentários

De Teresa a 22.03.2012 às 21:27

Talvez o medo que sintam não tenha a ver com a liberdade dos outros mas não saberem o que fazer com a liberdade que esse bocadinho lhes proporcionaria...

Fui ao Saldanha à hora do almoço e estavam a juntar-se uns jovens - tipo artsy, rastas, calças largas - e eu à espera para atravessar enquanto olhava para a excitação que tudo aquilo lhes parecia proporcionar ia ouvindo os comentários dos engravatados à minha volta - os ataques eram tamanhos, tão básicos e tão cheios de fel que só poderiam ser devidos à invejinha que sentiam e ao medo de dar esse passinho. Era um contraste brutal - de um lado os da luta todos paz, amor e música; do outro a raiva o desprezo e o ódio.

Mesmo que tenham levado umas bastonadas não tenho a menor dúvida de quem se vai deitar um bocadinho mais feliz.

Eu?! Vivo e deixo viver e faço rir a minha amiga Cristina porque lhe ia dizendo olhando para um de rastas "Já me viste com um genro destes na Mesa de Natal?" e ao ouvir os comentários dos de trás "Mas que Natal, levar com esta raivinha e desprezo pelo outro, pelo diferente, na Mesa de Natal"

De bolaseletras a 22.03.2012 às 22:15

É complicado, Teresa. Não sei se a liberdade em que estava a pensar era a dos rastas das grandes cidades. Confesso que conheço algumas almas livres da grande urbe e não lhes reconheço grandes e puros desejos de liberdade para além da pouca vontade de trabalhar. Estava a pensar noutras liberdades, liberdades de consciência, de se fazer o que se gosta sem nos colocarmos de fora da sociedade, da liberdade de se dizer o que se pensa à família e aos amigos, de contrariar o patrão quando ele está errado. Mas sim, por vezes reconheço que caminhar livremente é caminhar sobre a corda bamba. Espero que não tenhamos todos que nos tornarmos rastas para sermos livres, mas se calhar...

De Teresa a 23.03.2012 às 09:31

Nem vou por aí na vontade de trabalhar.

O que me fez impressão foi o julgamento - e possível apedrejamento houvesse ali um pedaço de calçada mal calcetado - por parte de quem na verdade não se preocupa demasiado em sair da sua zona de conforto. E que ataca todos os que ameacem a sua consciência e a façam ter vontade de ser mais livres, mais opinativos, mais reinvindicativos...

É que quem não deixa os outros, na rua, serem livres - basicamente, de viver a sua vida - prolongam a mesma ditadura de pensamento nos locais de trabalho, em casa, na família, no Clube... ambicionando, no fundo, a KARA do Pedro


Não existe - trust me - isso da pessoa que é assim com o rastas mas é um porreiro com todo o mundo alinhado.

Rastas? Eu? Não. Mas tenho os meus laivos e uma certa inveja quando testemunho esses pequeninos voos ambiciosos. Pelo menos uma vez por semana gostava de ter coragem de vestir essa pele e chocar toda a gente.

Na falta de... tenho o Bolas!

Abraço,
Teresa

De bolaseletras a 23.03.2012 às 18:16

Teresa,

Se o Bolas tem pelo menos o efeito de evitar que saias para a rua de rastas, então já valeu a pena!!!!Eheheheh

Bom fim de semana!

De Pedro Nogueira a 23.03.2012 às 17:16

Subscrevo o post do António e acredito que muitos mais o façam, a questão é saber, desses, quantos passarão das palavras aos actos.
Relativamente aos comentários da Teresa e do António, partilho um pouco da ideia de ambos.
Se por um lado percebo o António, quando refere que algumas “almas livres” apenas têm pouca vontade de trabalhar, ao que eu acrescento, -aparecendo nas manif’s com o seu violão, a garrafa de tintol e o belo do copinho de plástico, rematando sempre com um charro da ordem-, por outro devo dizer que por causa de a maioria aceitar, de calças em baixo, tudo o que lhes é apresentado é que a suas vidas vão de mal a pior.
Se, como refere o António, caminhar livremente é caminhar sobre a corda bamba, então eu já faço levitação há muito tempo, porque estou-me bem a borrifar para o politicamente correcto.
Nunca tive paciência para néscios, muito menos vergar-me aos mesmos.
Quem me incomoda, sai da minha vida. Simple as that.
“Isto” é muito curto para perder tempo com chatices. Já bastam as coisas que não podem ser evitadas, como a doença ou a morte.
…ah, é verdade, e os impostos :p
Penso que só o facto de se por a hipótese de ser preciso nos colocarmos fora da sociedade para ter liberdades de consciência e se fazer o que se gosta, é por si só, assustador.
Pegando no exemplo da Teresa, se há grupo com o qual não consigo, visualmente, simpatizar, é com os rastafari. Aceito quase tudo mas convivo mal com a javardice e normalmente esses dudes têm um ar porco até não poder ser mais. No entanto, debaixo de uma boa camada de dreads e uma carga de piolhos, pode muito bem estar um excelente físico nuclear, bem mais culto e instruído do que a fedúncia da rapariguinha do shopping que vestida de Zara e a mastigar pastilha de boca aberta se julga a maior da sua rua e que critica com desdém esse mesmo rastafari.
Como diz a Teresa, “quem não deixa os outros, na rua, serem livres - basicamente, de viver a sua vida - prolongam a mesma ditadura de pensamento nos locais de trabalho, em casa…”
A maioria vive uma vida condicionada, sem fazer o que lhe dá na real gana, apenas pelo medo de ser apontada, de ser considerada diferente mas também, é para o lado que eu durmo melhor.

De bolaseletras a 23.03.2012 às 18:19

Pedro,

liberdade sim, mas com banho tomadinho!

Grande abraço, continua a levitar que o país tem falta disso.

Bom fim de semana

De Pedro Nogueira a 23.03.2012 às 18:27

Ah ah ah!
Levitação e sem recurso a drogas psicadélicas ou outras :)
Grande abraço e bom fim-de-semana!

De Teresa a 23.03.2012 às 20:49

Hoje voltamos a ter campeão de sexta-feira

Bom fim-de-semana!

De Pedro Nogueira a 23.03.2012 às 23:34

Só falta perderem com o Braga e com o Sporting e terão de se contentar com a Taça dos Bêbados, aka, Taça Lucílio Baptista.
Isto se o Gil Vicente não lhes der na corneta.


Bom fim-de-semana!

De bolaseletras a 24.03.2012 às 12:29

Desde pequenino que sou fan do galo de Barcelos!

De Carlos Azevedo a 24.03.2012 às 00:21

É isso mesmo: «Um bocadinho que seja e a malta já ficava satisfeita».

De bolaseletras a 24.03.2012 às 12:30

Como dizia o Sérgio Godinho, "com um brilhozinho nos olhos...".

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