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Um bocadinho que seja

Quinta-feira, 22.03.12

 

 

Não sou arruaceiro nem reacionário, não sou viciado na constante crítica do sistema vigente e até acho que os meus pais me deram umas mãos cheias e decisivas de bons conselhos. Mas irritam-me os conformados, enervam-me os que se queixam de tudo e de todos menos de si próprios. Desiludem-me aqueles que tudo fazem para não desiludir quem lhes diz como viver, o que decidir, em que direcção ir. Enfastiam-me os yes man, os que repetem frases feitas e inofensivas. Dói-me acompanhar anos e anos a fio a evolução zero de amigos e colegas que podiam ser muito mais mas se contentam com o “cá vamos andando, com a cabeça entre as orelhas”. Não é preciso mudar o mundo, não se pede que mudem de país, de emprego, de corte de cabelo. Pede-se apenas que acreditem que podem ir um pouco mais além. Um bocadinho que seja e a malta já ficava satisfeita.

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publicado por bolaseletras às 18:18


3 comentários

De Pedro Nogueira a 23.03.2012 às 17:16

Subscrevo o post do António e acredito que muitos mais o façam, a questão é saber, desses, quantos passarão das palavras aos actos.
Relativamente aos comentários da Teresa e do António, partilho um pouco da ideia de ambos.
Se por um lado percebo o António, quando refere que algumas “almas livres” apenas têm pouca vontade de trabalhar, ao que eu acrescento, -aparecendo nas manif’s com o seu violão, a garrafa de tintol e o belo do copinho de plástico, rematando sempre com um charro da ordem-, por outro devo dizer que por causa de a maioria aceitar, de calças em baixo, tudo o que lhes é apresentado é que a suas vidas vão de mal a pior.
Se, como refere o António, caminhar livremente é caminhar sobre a corda bamba, então eu já faço levitação há muito tempo, porque estou-me bem a borrifar para o politicamente correcto.
Nunca tive paciência para néscios, muito menos vergar-me aos mesmos.
Quem me incomoda, sai da minha vida. Simple as that.
“Isto” é muito curto para perder tempo com chatices. Já bastam as coisas que não podem ser evitadas, como a doença ou a morte.
…ah, é verdade, e os impostos :p
Penso que só o facto de se por a hipótese de ser preciso nos colocarmos fora da sociedade para ter liberdades de consciência e se fazer o que se gosta, é por si só, assustador.
Pegando no exemplo da Teresa, se há grupo com o qual não consigo, visualmente, simpatizar, é com os rastafari. Aceito quase tudo mas convivo mal com a javardice e normalmente esses dudes têm um ar porco até não poder ser mais. No entanto, debaixo de uma boa camada de dreads e uma carga de piolhos, pode muito bem estar um excelente físico nuclear, bem mais culto e instruído do que a fedúncia da rapariguinha do shopping que vestida de Zara e a mastigar pastilha de boca aberta se julga a maior da sua rua e que critica com desdém esse mesmo rastafari.
Como diz a Teresa, “quem não deixa os outros, na rua, serem livres - basicamente, de viver a sua vida - prolongam a mesma ditadura de pensamento nos locais de trabalho, em casa…”
A maioria vive uma vida condicionada, sem fazer o que lhe dá na real gana, apenas pelo medo de ser apontada, de ser considerada diferente mas também, é para o lado que eu durmo melhor.

De bolaseletras a 23.03.2012 às 18:19

Pedro,

liberdade sim, mas com banho tomadinho!

Grande abraço, continua a levitar que o país tem falta disso.

Bom fim de semana

De Pedro Nogueira a 23.03.2012 às 18:27

Ah ah ah!
Levitação e sem recurso a drogas psicadélicas ou outras :)
Grande abraço e bom fim-de-semana!

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