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O mistério de uma nação acabrunhada

Sexta-feira, 13.04.12

 

 

Ando com muito pouca vontade de falar de política e do estado da Nação, não será difícil perceber porquê. Ainda assim, quando o Luís M. Jorge se questiona sobre a razão da súbita anomia dos portugueses face a esta avalanche de austeridade Passista, ponho-me a reflectir. Sem dúvida que esta falta de reacção e fraca contestação às actuais políticas governativas contituem um mistério que merece ponderado estudo. Ponho-me a olhar para trás, para o lado, para mim, para quem me rodeia no trabalho, na fila do supermercado e penso ter descoberto um ponto de partida para a explicação desse mistério. Sinto-me capaz de afirmar que a convicção com que Sócrates durante anos defendeu que íamos no bom caminho quando o buraco estava cada vez mais fundo fez com que muitos de nós passassem a acreditar no contrário do que o homem dizia. Preferimos agora que nos digam na cara que isto está mau, que os sacrifícios são a saída e que mesmo assim provavelmente teremos de cortar ainda mais dedos. Cansados das promessas luminosas e alucinadas preferimos agora a dureza da realidade. Sócrates abriu o caminho para o que Passos está agora a fazer com este estranho e silencioso apoio, quase que um consentimento envergonhado. A ironia de tudo isto acaba por ser fantástica ou, quiçá, assustadora.

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publicado por bolaseletras às 18:56


6 comentários

De Teresa a 14.04.2012 às 22:32

Tenho as minhas dúvidas que seja isso?

Também o Real no dia em que Mourinho sair nunca mais levanta a cabeça mas não ergue a voz... mas irá preferir isso a dizer comprei gato por lebre.

Passos está a tirar o pão a quem trabalha porque a malandragem dos subsídios e xulice continua intocada. Cortou-se mais nos gastos com a saúde e educação do que nos tais que tinham 120 mil euros no banco.

Acaba-se com a Maternidade Alfredo da Costa e constroi-se um Aeroporto antes que os que estão na fila do Supermercado acordem mas entretanto vamos tirar-lhes o pão que é para não terem tanta força. Já agora vamos dar benesses nas taxas moderadoras para quem nunca trabalhou um dia na vida mas aquele que trabalha há 30 vai pagar por ele e a família toda dos anteriores.

As Universidades têm alunos a desistir por falta de dinheiro dos pais. Algumas escolas ficaram com as crianças durante as férias da Páscoa para dar-lhes de comer...

Se fosse só o silêncio a mim não me incomodava. É a raiva que vai aumentando por dentro que me assusta. Muito!

De bolaseletras a 14.04.2012 às 23:00

Teresa,

Apenas quis abordar o porquê de achar que por ora anda tudo muito silencioso, apesar do que se adivinha. Não concordo com 90% das medidas que têm sido tomadas, achio que isto é gente inexperiente a brincar às experiências perigosas. Quanto ao artigo que me referiste, apesar de roçar o catastrofismo, há lá muito de realidade. Quem de facto está a passar mal vai sentir a raiva e espalhar a raiva em prol dos seus. E isso é, mais do que perigoso, pode ser o fim do silêncio, o fim de uma forma que não conhecemos.

Bom Domingo, ainda assim!

De Teresa a 15.04.2012 às 10:57

O artigo fala exactamente do que a sua autora, eu e muitos retornados já conhecem. Tirando o som das armas - que não temos e eu não conheci porque já me encontrava na metrópole quando eles se ouviam no Ultramar - é-nos mais fácil reconhecer os sinais de desespero, tristeza e abandono.

Os que sempre cumpriram e cumprem são os que mais sofrem (muitos Funcionários Públicos, nos próximos anos, lembrarão o Quadro Geral de Adidos; muito emigrantes ao voltarem para a Terra que não lhes retribuirá o que pouparam e amealharam sentirão o mesmo que esses retornados). Os restantes sairão impunes das suas falcatruas e os que nunca trabalharam um dia na sua santa vidinha também.

Abraço e bom fim-de-semana!

Teresa

De bolaseletras a 15.04.2012 às 14:08

Bom fim de semana, apesar de tudo!;).

De Teresa a 14.04.2012 às 22:44

Quando tiveres tempo, pachorra e quejandos lê isto que o TheCatScats recomendou:

www.novomundoperfeito.blogspot.pt/2012/04/em-verdade-vos-digo-meus-irmaos.html

De Maria João Castro a 15.04.2012 às 13:22

Não podia estar mais de acordo.
Estávamos fartos de mentiras, principalmente porque a maioria delas entrava pelos olhos dentro dos mais informados e sensatos. É sempre preferível uma verdade pura e dura, do que fazerem de nós parvos. O problema é que agora paga o justo pelo pecador.
Quem, como eu, nunca se endividou para pagar luxos e futilidades e sempre pagou os impostos a tempo e horas, sofre as consequências dos atos dos outros por todos as vertentes, quer do lado dos rendimentos, quer do das despesas, como trabalhadora do Estado, como consumidora, como contribuinte, como proprietária de casa e de carro, como mãe, etc. Os outros que não tiveram (ou não quiseram ter) juízo continuam a viver à conta dos impostos dos que trabalham. É revoltante!

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