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Debaixo da terra, debaixo da pele

Terça-feira, 03.07.12
 

Neil Goldberg, um artista que, como todos os outros, procura o Santo Graal da eterna originalidade, mergulhou nas entranhas da terra e procurou a poesia no metropolitano de Nova Iorque. Para tal, pediu a alguns passageiros para permanecerem imóveis na plataforma enquanto a carruagem se aproximava. Poesia por entre o cinzento das pessoas, o ferro sem cor, o metal gélido, poesia no mundo da anti-poesia. Não sei se é pela falta de sol ou pela tristeza congénita dos lisboetas, mas nas entranhas da rede metropolitana de Lisboa a poesia é pecado, o sorriso está proibido, os olhos carregados de dor, de indiferença ou de singelo mas dorido aborrecimento são a única forma de arte possível de encontrar. Mas como as formas de arte não incluem este expressionismo sem cor temo que no metro de Lisboa a poesia esteja interdita. E já era assim antes da propalada crise, não adianta pensar em explicações conjunturais. A crise habita em nós como uma sanguessuga imortal.

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publicado por bolaseletras às 12:49


4 comentários

De Teresa a 03.07.2012 às 13:50

E uma, outra, coisa que aterroriza este povo é a falta de inovação... À maior parte eu recomendaria um sorriso, uma graçola e seguir o dia com esse espírito e ver no que ia dar... vivemos entristecidos porque hoje já não haveria nem coragem nem pachorra para ir às Índias e Américas. Já tudo parece inventado, descoberto...


A crise só trouxe à superfície algo que se forçava adormecido com viagens a Punta Cana, o último carrão e a casa com mais casas de banho e a cozinha mais equipada.


A crise significará, para muitos, ter de voltar aos Verões na "terra" para onde se esperava nunca mais voltar... e a zanga, consigo mesmo, é tão grande que não permitirá o "de volta ao aconchego" e fazer para os teus aquilo que outros fizeram por, e para, ti.


A tristeza no metro - e em todo o lado - tem a ver com isso mesmo. A falta de rumo. De ideias. De vontades. E o futuro? Não sei. Os governantes devem estar todos contentes com esta apatia, esta mansidão - cornos mansos, diriam alguns - mas e a raiva que borbulha?! Como se extravasará? É que não temos terra debaixo da pele... podemos estar "debaixo de terra" mas debaixo da pele há gente... ou não?


P.S. nao consigo ver o que puseste antes do texto? É imagem ou vídeo?


Que o Neil Goldberg não se atreva vir fazer destas coisas para o Metro de Lisboa - um dos metros mais lindos do Mundo (não, o do Moscovo, não entra para votação) - que ainda vai parar à Linha ele, e a estúpida que se põe à frente e não deixa passar

Um Abraço (pela TUA diferença),

Teresa

De bolaseletras a 03.07.2012 às 21:52

Há os que voltam às férias na terra e há também os que não têm terra. E todos esses, sendo gente debaixo da pele, um dia reagem e aí temo que os brandos costumes sejam esquecidos e os culpados tenham todos os nomes...

Antes do texto é o filme que refiro, as pessoas no metro, muito bonito. Chato não poderes ver...será que ninguém consegue?

De Teresa a 03.07.2012 às 22:04

Já consigo ver

Bom, isto vejo eu todos os dias - uma apatia esquisita, de alguém a caminho de algum lado onde não estará, verdadeiramente , e em caso de perguntado nem saberá dizer como chegou lá. Tal e Qual!

Mas não somos os únicos:

www.dailymail.co.uk/news/article-2168232/Australian-woman-MP-faces-onslaught-criticism-fellow-TV-panelist-collapsed--did-nothing.html

"Secando" de dentro para fora. Uma pessoa dá-lhe um treco e o programa segue dentro de momentos... sorte teve o Simon que outros se aperceberam porque se dependesse da senhora do lado...

De bolaseletras a 03.07.2012 às 22:28

A apatia contagia e essa senhora estava infectadissima!!;).

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