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Um país à beira de não ter futuro

Sexta-feira, 31.08.12

 

 

Há dias em que depois de assistir a um extenso rol de atrocidades de impreparados paizinhos ou mãeszinhas, dificilmente resisto em dirigir-me a esses imerecidos progenitores e dizer-lhes: “Caro senhor/a, se não estava preparado/a para ser pai/mãe não o deveria ter sido. Mas já que cometeu a imprudência de o ser, agora ao menos faça-se homenzinho/mulherzinha e exerça os seus deveres parentais no sentido de fazer esta criança uma pessoa feliz e educada”. Era bonito, sim, dar este passo, mas isto de ser causticamente sincero não cabe nos bons modos socialmente aceites, pelo que provavelmente iria ser contraproducente. Crianças a entrarem na praia ao meio dia, na torreira do sol, naquela hora que chamo de cancer time é mato neste desgraçado país. Bébés a berrar em cafés, shoppings, restaurantes enquanto os papás comem, bebem e fumam é o pão nosso de cada dia. Crianças a levar estaladões porque não param quietas nesses cafés, restaurantes e shoppings, estacando quietinhas como estátuas deixando os seus pais usufruírem daquilo que os seus cerebroszinhos interpretam como prazeres são areia na praia. Uma gente que não sente por instinto que o seu maior desígnio deveria ser fazer crianças felizes não é bem gente, um país onde as pessoas não sabem educar é um país sem futuro.

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publicado por bolaseletras às 23:30


4 comentários

De Teresa a 01.09.2012 às 11:19

Podes dar aquilo que não tens?

Talvez. Há casos desses para pessoas maiores do que aquilo a que foram vetados, mas nos casos que me fizeste lembrar, falta-lhes um je-ne-sais-quoi. Enorme.

Eu vivo temerosa (e triste) com esse futuro porque diariamente em contacto com os pais - com uma infantilidade emocional e deseducação ao nível de alguém que foi raptado em bebé por Rumanis - nada de bom pode vir dali.

Não sabem, não querem saber e ressentem quem tenta mostrar ou ensinar algo. O que ganham , o que possuem, lhes chega para abafar o som da incompetência, na sua maior parte, emocional.

Tudo o resto é uma chatice. Resta-lhes a esses miúdos serem muito bons academicamente, com a promessa que terão tanto e chegarão mais longe porque senão a chatice pode - irá dar - direito a problemas grandes, muito grandes. Se há um problema físico de maior então as repercussões fazem o Hitler parecer um menino do coro.


A nível social inferior o problema é tanto ou mais grave. A proximidade com crianças em idade pré-escolar permite-me ver como esses abusos se reflectem em problemas que terão de ser resolvidos chegada a idade escolar. No outro dia dizia uma vizinha cujo neto grita como um animal como forma de expressão - onde quer que seja (embora habitualmente esteja no café, no shopping ou na rua) - que quando ele for para a escola vai ter psicólogo e terapeuta da fala. Agora, pensa quem vai pagar isso? Sim, tu e eu. Porque a criancinha já é a 3ª geração que tu e eu sustentamos.


Quo Vadis Humanidade?

De bolaseletras a 01.09.2012 às 22:46

O problema é muito o que referes no final, Teresa. A deseducação dominante gerará gente sem sabedoria para triunfar, para inovar, para criar, para ser competente e pagarão os do costume, porque no estado estarão pendurados muitos dessas vitimas da deseducação. Quo Vadis humanidade, repito-o preocupado.

De Teresa a 02.09.2012 às 14:25

A deseducação "governada" pelo desamor é uma tragédia anunciada.
Abraço e Bom Domingo!

De bolaseletras a 02.09.2012 às 23:12

E que tragédia!

Boa semana!

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