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Uma gare à imagem do país

Domingo, 02.09.12

 

 

Estas férias armei-me em ecologista, poupadinho e bom rapaz e nas deslocações de fim-de-semana ao reino dos Algarve usei e abusei da CP e dos seus prodigiosos Alfa e Inter-Cidades. A partida de Lisboa, sempre da Gare do Oriente, deixava-me inapelavelmente um gosto agridoce, mais do que na boca – no cérebro. Se por um lado esta e outras imagens embelezavam os fins de tarde, dando a perceber que a feitura da estação em causa tivera inegavelmente preocupações estéticas, já outros pormenores me levaram ao desespero. No Verão o sol inclemente no piso das linhas é impiedoso e capaz de arrasar com crianças, velhos e menos velhos. A escassez de bancos, para não prejudicar o meticuloso alinhamento dos que rareiam desespera o mais resistente. No Inverno, o frio e a chuva são indesejáveis companheiros de viagem. Dir-se-ia que a Gare do Oriente foi construída à imagem do país. Um belo e reluzente embrulho (CCB, Expo, estações de metro, auto-estradas) que encobre deficiências várias, inutilidades muitas, irracionalidades e relações custo-benefício inconcebíveis. Um dia havemos de perceber que uma boa fatia de pão caseiro com salsichão lá da terra embrulhada em papel de merceeiro sacia bem mais do que uma reluzente tosta de foie gras parisiense.

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publicado por bolaseletras às 23:07


6 comentários

De Teresa a 03.09.2012 às 16:43

A última vez que lá estive fui buscar uma amiga que vinha do Porto e estava com uma amiga Polaca que tinha ido buscar ao aeroporto. Vinda de Espanha. (sim, eu adoro confusão )

Quando disse à minha amiga Polaca para onde íamos ela ficou super excitada - Calatrava and all e notei que passados 5 minutos de estarmos ali a excitação ía diminuindo. Há ali um ar de abandono que de alguma forma não imaginaríamos ser possível. Lá está, como dizes, a falta de bancos, a atmosfera quase desértica da coisa e os acessos e o que antecede a plataforma são de uma pobreza franciscana - cultural, antropológica e decorativa...

Fez-me pensar que quem pensou naquilo - na Obra de Arte - a pensou com aquele máxima "Pérolas a Porcos" por isso meteu-se a Obra mas maribando-se para todo o resto. Gente desta teria posto os Jerónimos na Brandoa...

Quando descemos e passeámos à volta, a excitação voltou. E as fotos sucediam-se mas o feng-shui não permitiu sequer sugerir uma na plataforma... hoje talvez o lamentemos mas na altura não deu, não "puxou a..."

Abraço,
T

De bolaseletras a 03.09.2012 às 21:47

A tua amiga vinha com boas intenções e atrás de bons nomes...esqueceu-se é que isto era Portugal!;). Eu acho que mais do que tudo falta à gare alma, cor, sorrisos. Se calhar o mal não é do sítio, mas das formigas que lhe percorrem o carreiro.
Abraço

De Teresa a 03.09.2012 às 22:07

Não. Isso foi o que pensaram quem concebeu (mal) o espaço e envolventes. Eles que façam o resto. Mas na correria do dia a dia tudo passa despercebido a menos que o faças de forma a não passar... sobes por aquele cinzento e emaranhado de rolantes onde nada prende nem cativa o olhar, chegas àquele deserto de plataforma e até te esqueces de olhar para cima, para o... Calatrava.

No outro dia tive um pensamento idêntico quando tive de ir ao IPO fazer uns testes. A estação de Metro é uma das coisas mais abandonadas e tristes de toda rede de Metro. Com tanto dinheiro que se gastou em azulejos aqui e ali, artista aqui e ali e onde realmente era preciso um pouco de "perk me up" não há. Estação cinzenta, velha, péssima iluminação, triste e - o que mais me impressionou - deserta.

Anda pelo metro e vê quais as estações que parecem com mais vida? As que "puxam" a isso - na cor, no detalhe, na iluminação. Claro que o $$$ que gera a alegria no Chiado não pode ser comparado pelo que há que dar as "Boas Vindas" com todos os fauts , o resto que se ***

De bolaseletras a 03.09.2012 às 22:26

Concordo em parte, Teresa, mas ainda assim acho que por mais cor que haja à nossa volta muitos poucos de nós nos deixamos contagiar pela mesma. Sinais dos tempos, talvez.

De Teresa a 04.09.2012 às 09:52

Hei, estás a falar com "I Got the Sun" ahahahah.

A mesma que recebe, diariamente, aqueles olhares de ódio pela boa disposição e atenção para com o outro.

Concordo com tudo - o teu, o meu, o deles. Só que esses espaços não são criados por mim mas por eles .

Abraço,
T

De bolaseletras a 04.09.2012 às 22:25

Faltam mais sóis como tu, Teresa, para cegar de luz os conzentões;).

Abraço

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