Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



"O Retorno" - A vida numa manilha

Quinta-feira, 13.09.12

 

 

“O Pacaça arrecadou a manilha de ouros do Sr. Belchior que disse zangado, com tanta sorte ao jogo deve ter sido um infeliz no amor. As cartas ainda requerem algum saber mas o amor é o único jogo em que só é preciso sorte, respondeu o Pacaça encolhendo os ombros”.

 

“O Retorno” não é só sobre como era viver nas colónias, sobre como foi “encaixar” na metrópole. É também muito Portugal, muita sabedoria do povo, muitos jogos de palavras e floreados de humor como o deste trecho. Uma grande escritora tem que saber esquecer o tema central da obra, fugir da obsessão de o esmiuçar até ao limite e dar-nos um pouco de vida a cheirar a gente. E uma jogatana de sueca no meio de um hotel repleto de gente que sofre por desconhecer o futuro é bem o espelho do Portugal de outrora e de hoje. Não haja pão, que haja Carnaval.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 17:58


4 comentários

De Teresa a 14.09.2012 às 15:53

Mesmo a jogar e cá, um olho continuava "lá". Sabes o que é uma Pacaça? Não há criança filha de retornados que não tenha essa palavra como uma das mais ouvidas nos primeiros anos do regresso das ex-Colónias.

Era essencial mergulhar nesses momentos de proximidade e partilha. Era como fazer um "desmame" de algo que nunca mais seria o mesmo mas ao que te podias agarrar para sobreviver ao que aí vinha... mesmo quando havia cinzas no antes o depois avizinhava-se preto muito preto.

Temo que grande parte das pessoas - no presente, e com esta crise - não saberá dar valor às pequeninas coisas, voltará as costas aos amigos que queriam uma mudança (por exemplo), dentro do seu azedume verão tudo mau no reflexo de si mesmos. Por isso também não saem do País. O que aqueles jovens faziam - indo para África com uma carta de chamada de um Tio a quem não viam há já muitos anos, deixando a Pátria, Família e alguma segurança (há sempre mais segurança no mal conhecido do que no bem desconhecido) - não é para meninos.

Eu compreendo esse jogo, ou as mulheres a arranjarem o cabelo uma às outras quando não tinham aonde ir, era a última convivência antes do Adeus final. Depois daquele Hotel nunca mais serias o mesmo. Era, se queres, o Carnaval mas a Quaresma avizinhava-se dolorosa e longa... cedo os tiques do Pacaça te irritariam e dentro em breve nem suportarias falar demasiado do que lá deixaste, muitos não voltarão a viver um Carnaval... não vejo comparação com o Povo Português de hoje. Nenhuma. Numa situação limite como aquela isto andava tudo ao estalo porque entraste antes no comboio, ou serviram-te a a bica primeiro... o que já vai acontecendo e tenderá a piorar. Depois me dirás se tu próprio não vais ter os próprios Carnavais com os amigos de toda a vida. Eu espero que sim

De bolaseletras a 14.09.2012 às 22:01

Não quero nunca deixar de dar valor às coisas pequeninas e sobretudo de viver os Carnavais que são o sal da vida, sem dúvida.

Pacaça? Confesso a ignorância. Help;)

De Teresa a 17.09.2012 às 09:33

Tens de levar o Miguel ao Jardim Zoológico e dizer-lhe que há umas décadas havia Portugueses a caçar disto em África, e que, frequentemente, os mais entusiastas (ou os de melhor pontaria) acabavam por levar com este nick (ou alcunha como se dizia na altura, só que o miúdo já vai ser da Era Nick

www.zoo.pt/animais.aspx?ID=1544


De bolaseletras a 17.09.2012 às 22:08

Obrigado Teresa, tenho mesmo que tratar da ida ao Zoo!

Comentar post





mais sobre mim

foto do autor




Flag counter (desde 15-06-2010)

free counters



links

Best of the best - Imperdíveis

Bola, livres directos & foras de jogo

Favoritos - Segunda vaga

Cool, chique & trendy

Livros, letras & afins

Cinema, fitas & curtas

Radio & Grafonolas

Top disco do Miguelinho

Política, asfixias & liberdades

Justiça & Direito

Media, jornais & pasquins

Fora de portas, estrangeirices & resto do mundo

Mulheres, amor & sexo

Humor, sorrisos & gargalhadas

Tintos, brancos & verdes

Restaurantes, tascas & petiscos

Cartoons, BD e artes várias

Fotografia & olhares

Pais & Filhos


arquivos

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

pesquisar

Pesquisar no Blog