Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
"O Retorno" - A vida numa manilha
“O Pacaça arrecadou a manilha de ouros do Sr. Belchior que disse zangado, com tanta sorte ao jogo deve ter sido um infeliz no amor. As cartas ainda requerem algum saber mas o amor é o único jogo em que só é preciso sorte, respondeu o Pacaça encolhendo os ombros”.
“O Retorno” não é só sobre como era viver nas colónias, sobre como foi “encaixar” na metrópole. É também muito Portugal, muita sabedoria do povo, muitos jogos de palavras e floreados de humor como o deste trecho. Uma grande escritora tem que saber esquecer o tema central da obra, fugir da obsessão de o esmiuçar até ao limite e dar-nos um pouco de vida a cheirar a gente. E uma jogatana de sueca no meio de um hotel repleto de gente que sofre por desconhecer o futuro é bem o espelho do Portugal de outrora e de hoje. Não haja pão, que haja Carnaval.
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4 comentários
De Teresa a 14.09.2012 às 15:53
Era essencial mergulhar nesses momentos de proximidade e partilha. Era como fazer um "desmame" de algo que nunca mais seria o mesmo mas ao que te podias agarrar para sobreviver ao que aí vinha... mesmo quando havia cinzas no antes o depois avizinhava-se preto muito preto.
Temo que grande parte das pessoas - no presente, e com esta crise - não saberá dar valor às pequeninas coisas, voltará as costas aos amigos que queriam uma mudança (por exemplo), dentro do seu azedume verão tudo mau no reflexo de si mesmos. Por isso também não saem do País. O que aqueles jovens faziam - indo para África com uma carta de chamada de um Tio a quem não viam há já muitos anos, deixando a Pátria, Família e alguma segurança (há sempre mais segurança no mal conhecido do que no bem desconhecido) - não é para meninos.
Eu compreendo esse jogo, ou as mulheres a arranjarem o cabelo uma às outras quando não tinham aonde ir, era a última convivência antes do Adeus final. Depois daquele Hotel nunca mais serias o mesmo. Era, se queres, o Carnaval mas a Quaresma avizinhava-se dolorosa e longa... cedo os tiques do Pacaça te irritariam e dentro em breve nem suportarias falar demasiado do que lá deixaste, muitos não voltarão a viver um Carnaval... não vejo comparação com o Povo Português de hoje. Nenhuma. Numa situação limite como aquela isto andava tudo ao estalo porque entraste antes no comboio, ou serviram-te a a bica primeiro... o que já vai acontecendo e tenderá a piorar. Depois me dirás se tu próprio não vais ter os próprios Carnavais com os amigos de toda a vida. Eu espero que sim
De bolaseletras a 14.09.2012 às 22:01
Pacaça? Confesso a ignorância. Help;)
De Teresa a 17.09.2012 às 09:33
www.zoo.pt/animais.aspx?ID=1544

