Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Será? (Sporting 2-Gil Vicente 1)
Uma entrada de leão do Sporting, uma mini revolução no 11 e na táctica, a chamada mudança a la Passos Coelho operada por Sá Pinto (abdica-se das convicções e de tudo o que até aí eram certezas inabaláveis) e o habitual momento fatal assim comentado pelo meu rapaz de 3 anos: “Pai, os maus vermelhos marcaram”. Depois disto, foi a loucura. Centrais a rematarem de meio campo, Rinaudo e Izmailov a carregarem o meio campo às costas, correrias sem fim de Viola e Capel, Sá Pinto a atirar jogadores lá para a frente (depois de ter deixado o melhor avançado no banco – Carrillo), enfim, este Sporting é um carrossel de emoções, isso não se pode negar.
Sá Pinto estava magoado, a equipa lutou por ele, todos os sportinguistas gostam de Sá Pinto, mas todos eles duvidam da sua condição de treinador competente. Eu adoro a garra do Sá, o amor do Sá pelo meu Sporting, mas temo que tanta paixão lhe tire discernimento e lhe acentue ainda mais a falta de experiência como treinador. Será a força volitiva e emocional suficiente para fazer o Sporting voar? Será a aliança entre treinador e jogadores suficiente para compensar as insuficiências estratégicas? Será a alma a chave do sucesso? Quando há uns minutos me despedi do Miguel e lhe segredei ao ouvido “O Sporting sempre ganhou, Miguel, dorme bem” o sorriso dele encheu-me a alma, é só isso que sei.

