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José Cardoso Pires

Segunda-feira, 08.10.12

 

 

Uma das piores fraquezas desta fraca nação é a incapacidade congénita em louvar e promover interna e externamente os seus génios. Regressando à minha esforçada vontade em (re)descobrir escritores portugueses mergulhei no “O Anjo Ancorado” de José Cardoso Pires. Banhei-me na simplicidade de palavras puras como cristais, nas imagens tecidas que oferecem mais ideias do que mil ideias escritas, na cortante realidade de um Portugal que teimamos em esquecer ou não procurar conhecer. Não tenho bagagem nem conhecimento para dizer quem foi Cardoso Pires, para resumir em algumas linhas a sua obra. Sei apenas que o fascínio que este pequeno grande livro me transmitiu me abriu as portas para um escritor singular. Quanto ao homem e à obra deixo aqui algumas palavras de António Tabucchi, que muito melhor conhece ambos:

 

 

 

“Creio que nenhum outro escritor português soube contar, como Cardoso Pires, a infelicidade e a solidão: a infelicidade e a solidão do indivíduo mas também de toda uma sociedade, de um país inteiro. E ninguém, como ele, soube radiografar um sistema político como o salazarismo, apanhado na sua fase senescente. Um sistema esclerosado, sulcado por profundas fissuras, que causou na alma das pessoas desgastes já irremediáveis, abrindo galerias obscuras onde habitam justamente a infelicidade e a solidão”.

 

“Os livros de Cardoso Pires são assim: a ler e a reler. Oferecem-nos o prazer imediato de uma história e obrigam-nos depois a uma reflexão sobre essa história. São livros interrogativos, como todos os livros dos grandes escritores”.

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publicado por bolaseletras às 17:51


6 comentários

De Carlos Azevedo a 08.10.2012 às 20:23

Um escritor de que gosto muito, António. Sendo um simples leitor, ouso concordar com Tabucchi: infelicidade e solidão (sendo que a solidão já contém a infelicidade). Essa solidão é muito visível n'«O Delfim», e Fernando Lopes, quando adaptou o livro ao cinema, transpôs esse ambiente de forma magistral (devia ser uma temática cara ao realizador, que já havia adaptado «Uma Abelha na Chuva», de Carlos de Oliveira, e posteriormente realizou «Lá Fora» e «Em Câmara Lenta», a mostrar-nos que a infelicidade e a solidão não são apenas apanágio do salazarismo).

Abraço.

De bolaseletras a 08.10.2012 às 22:18

Tenho mesmo que ler mais obras de Cardoso Pires, Carlos, tenho poucas dúvidas que vou ficar bem mais rico (literariamente falando, claro, não vá o Dr. Gaspar ter ideias).

Abraço

De Teresa a 09.10.2012 às 10:28

No entanto ninguém nos descreve melhor - enquanto povo - do que os nossos artistas.
Por isso os exilamos com tamanho à vontade. E tanta brutalidade.
Do lado de fora e, de preferência, para sempre.
Quando o exílio não é fisico, cria-se uma parede, uma redoma à volta, para que as suas descrições e análises não nos toquem e magoem... Acabamos nós exilados, mais felizes, mas exilados. Deles e de nós mesmos.


"“O exílio corrói. Cria um limbo de esperanças, uma turvação de miragens com que os expatriados se vão envolvendo para suportar a saudade e a derrota."" José Cardoso Pires

De bolaseletras a 10.10.2012 às 22:17

Muito bem visto e melhor dito, Teresa, somos cruéis para os nossos porque estes nos retratam como ninguém. Por isso recusamos a conhecermp-nos, crucificamos quem o faz. Triste povo, nação valente...

De Albert a 22.11.2012 às 18:41

Gostei muito dalguns contos dele. Acho que agora é tempo para entrar no seu mundo de romances para me deixar submergir na sua ficção. Não vi estes temas da solidão e da infelicidade nos seus contos da República dos Corvos, talvez seja uma obra um bocadinho diferente das outras.

De bolaseletras a 22.11.2012 às 23:07

Foi o meu primeiro livro do autor, também eu preciso de descobrir as outras facetas dele. Mas sim, creio que o "Anjo Ancorado" é uma obra muito singular. Volte sempre, um abraço.

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