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"O Anjo Ancorado" - Também um problema de elites

Quinta-feira, 18.10.12

  

 

“Este ar de terra a terra é fácil de perceber-se nalguns infantes da lavoura que gastam a maior parte da vida nas grandes capitais. Nesses, as falas provincianas e o tom com que se dirigem aos criados são coisas cultivadas, uma espécie de marca de estirpe para os diferenciar do resto dos mortais que não têm terras nem passado para lá da cidade. São outra gente; gozam a paz da fortuna e das famílias, bebem vinho tinto nos bares do Guincho ou de Cascais sem que alguém lhes leve a mal. Julgam, em suma, a cidade à medida da aldeia. E passeiam-se nela. (…) Como os monarcas que desciam à rua para enriquecer o sangue nos ventres populares.”

 

Há alguns dias Vítor Bento, Conselheiro de Estado, afirmou estar convicto que o problema de Portugal sempre foi das elites e não dessa massa informe e que para tudo serve intitulada de povo. Tenho poucas dúvidas da evidência dessa convicção, duvido ainda menos que a multidão de filhos de grandes e históricas famílias prefira mudar esse estado de coisas, abandonando assim a vida de passerelles e de contemplação da bela imagem nos espelhos dos corredores de luxuriantes palácios (grandes escritórios de advogados, gabinetes ministeriais, multinacionais do regime, etc.) por onde se passeiam. Pouco me importa que esses maduros bebam vinho nos bares do Guincho ou de Cascais, mas já me lixa o juízo que se estejam a cagar para o povo que colhe e pisa as uvas que lhes proporciona o néctar dos Deuses. Pode ser que um dia, como Sócrates, bebam cicuta em vez de tinto.

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publicado por bolaseletras às 17:51





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