Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Salvem-nos do ataque das baratas tontas!
O mais desesperante no atual estado da nação é a inexistência de um rumo. Não existe uma estratégia construída com base na análise dos problemas e das soluções adequadas para a resolução dos mesmos. O pior do desespero é desatarmos a fazer muitas coisas, como baratas tontas, coisas que depois de serem feitas têm zero de valor acrescentado e nos impediram de fazer o que era de facto necessário. Este é um mal da maioria dos habitantes deste país à deriva: fazem muito bem o que não interessa nada em vez de se dedicarem a fazer o que realmente interessa. O pior desta baratatontice é assistir à desorientação dos líderes, gestores e governantes que esperneiam e executam perigosos movimentos de malabarismo para nos convencer que o que foi feito foi muito bem feito, procurando ocultar no ruído da gritaria que aquilo que fizeram não nos vai tirar do lodo. Aliás, todo o tempo e recursos perdidos a desenvolver uma miríade de projectos e actividades ao abrigo dos mesmos, a alterar uma tonelada de leis e umas centenas de orgânicas de serviços, tudo isto desenquadrado de um plano estratégico, de um conjunto de objectivos que contribuem para alcançar metas e resultados que efcetivamente têm impacto na melhoria do tecido económico e social do país, servem para isso mesmo: para atirar areia para os olhos das baratas tontas.
Precisamos de um rumo, precisamos de saber o que tem de ser feito. Depois disso, somos uma maravilha a fazer coisas. Basta colocar todo esse labor e essa capacidade fantástica de fazer coisas ao serviço de algo que faça sentido.
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2 comentários
De Teresa a 16.11.2012 às 11:07
Não há de facto uma linha mas não o há para uma miríade de coisas. Até as mais básicas. Não quero dar uma de Mixórdia de Temáticas em que o RAP dizia ontem que havia muitos problemas na sociedade e que a ele lhe preocupava o filho de costas parecer uma velha
Começo a manhã nos transportes públicos e TODOS os dias, os MESMOS erros, as MESMAS indecisões em coisas tão básicas como "não se dorme na escada rolante. se quer dormir pelo menos ocupe a linha dos que dormem não as duas" "vais precisar do passe para entrar no Metro" "não esfregues o passe se há dificuldade na leitura do chip" "o que interessa para que lado da carruagem vais" "sim, há duas saídas - há 5 anos pelo menos - porque é que insistes em fazer 4 filas ao subir as escadas" "desde que saíste de casa que sabes que vais tomar o pequeno almoço, estiveste na fila à espera, mas agora que chegaste ao "pronto" pagamento não sabes o que te apetece"??????(*)
Até me espanta como é que há mais tempo ninguém se lembrou de voltar a deitar este povo para os anos negros. A matéria estava cá para ser abusada... faltava a xica espertiçe e maldade para pôr em prática, acho. E que o medo se instalasse. Está quase no ponto, meu Caro!
(* aqui há uns tempos o Pedro publicou um vídeo em que jovens tinham de correr x segundos para chegar a determinado ponto de estação de comboios para ganhar entrada (?) no último filme do 007. Sabes o que gostei mais? O civismo. Talvez porque sem essa base tudo o resto falha)
Bom fim-de-semana!
De bolaseletras a 16.11.2012 às 22:38
Os teus exemplos são hilariantes, fantásticos, só é pena é serem bem reais. Junta a isso aquele espectáculo deprimente que são as pessoas a demorarem séculos no multibanco, nas caixas de pagamento rápido no hipermercado, e temos umas migalhas que explicam o porquê de andarmos sempre atrá do prejuízo, sempre um passo atrás dos outros. Também vi o filme de que falas, é fantástico!
Bom fim de semana!

