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O arame farpado do medo

Domingo, 09.12.12

 

 

São demasiadas as vedações que ameaçam a liberdade do homem. Começando no casulo familiar que eleva ao expoente máximo a hiper-protecção das suas crias (o medo, o medo que a vida lhes saia ao caminho e as obrigue a viver), passando pelos yes sir tão apreciados e imitados nas emprezaszinhas e servicinhos, indo desembocar na auto-censura dos sentimentos, na supressão das respostas sinceras, no temor de bradar o que lhes vai nas almas. O arame farpado rasga a carne e o espírito, o homem receia aspirar à liberdade, teme que o salto para lá da vedação lhe despedace o pouco de alma que resta.

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publicado por bolaseletras às 17:43


9 comentários

De Teresa Faria a 09.12.2012 às 18:47

"A vida começa onde termina o medo" - Osho

Somos alimentados a papas e crenças. É-nos incutido o pacote essencial à felicidade: Segurança, estabilidade, amor.
Crescemos com esta certeza de que temos de ter um emprego estável, que nos dê segurança, nos permita ter uma casa, que nos dê segurança, de ter um amor, depositário das nossas próprias inseguranças, e gerar com esse amor um filho, a quem possamos proteger e transmitir os mesmos valores do raio da castradora segurança...
Tudo o que fuja a estes padrões é sujeito a julgamento. Pela sociedade, mas ainda antes disso, por nós mesmos. Risco, paixão, fazer o que se gosta, ouvir as nossas vontades, viver de acordo com as nossas verdades, ter um padrão próprio e único de felicidade, tudo isto é encarado como irresponsabilidade, imaturidade, desiquilíbrio, loucura. Antes da idade adulta já todos nós perdemos a capacidade de nos escutarmos verdadeiramente, e o discurso interior baseia-se "no que é melhor para mim"...
Mas não nos iludamos... Somos nós mesmos que perpetuamos essas crenças em nós. Somos nós os primeiros a edificar e reforçar as vedações. Por não termos consciência delas, ou porque mesmo quando começamos a ganhar esse conhecimento, não é fácil alterar os padrões impressos no ADN.

Este é um dos grandes propósitos da nossa existência: ganhar consciência que nos regemos por medos e crenças, identificar o que nos aprisiona, e ter a coragem de abrir mão desse cobertor de segurança, e viver em verdade com a nossa essência.

De Carlos Azevedo a 09.12.2012 às 19:06

E a suprema ironia é que, muitas vezes, saltar para o lado de lá da vedação poderia despedaçar-lhe tudo o resto, mas seria provavelmente a única coisa que lhe salvaria a alma.

De Teresa Faria a 09.12.2012 às 19:17

Na mouche!!

De bolaseletras a 09.12.2012 às 21:39

Meus Caros Teresa e Carlos,

As palavras vêm cá de dentro, mas são também digamos que uma interpretação romanceada desta fantástica imagem. Eu não advogo que fujamos de tudo o que é "normal", da família, de um emprego que nos dê segurança (sejamos sinceros, quem não quer um?). Advogo sim que dentro dessas "normais" circunstâncias sejamos sinceros com a nossa essência. Isto é, podemos fazer a diferença no nosso local de trabalho, agitar as águas contra o status quo, fazer diferente em busca de melhor. No seio familiar podemos contrariar hábitos que a sociedade muito preza, e dizer o que pensamos, rasgar dogmas e verdades que a sociedade tornou absolutas e inatacáveis, podemos fazer das famílias um espaço aberto e não uma prisão que tanto vemos pelos casulos que pululam pelas nossas cidades.

Talvez, como dizes Carlos, a salvação só se encontre do outro lado da vedação. Talvez o caminho para essa salvação tenha que se iniciar pela coragem de nos ouvirmos verdadeiramente, como dizes, Teresa. Obrigado por tornarem este post tão mais rico, por ajudarem a montar os alicerces do trampolim que ladeia a vedação.

De Teresa Faria a 09.12.2012 às 21:53

Também não defendo que fujamos de nada, caro António. Pelo contrário!
Mas pessoas haverá para quem a possibilidade de se expressarem livremente, pela criatividade, por exemplo, ainda que sem grandes garantias de "futuro", é mais importante do que a segurança compensatória de um vencimento obtido num emprego estável, mas que esmaga a alma... Podendo juntar as duas coisas, fantástico!
O que defendo é que sejamos verdadeiros connosco. E que ao contrário do que podemos pensar, essa não é uma tarefa fácil - saber o que realmente queremos, qual a nossa verdade - quando estamos todos pejados de máscaras e véus criados pelo medo e pela ilusão de que a felicidade vem do que temos, dos outros, do exterior, e não do que somos.

De bolaseletras a 09.12.2012 às 22:13

Teresa,

Estamos a dizer a mesma coisa utilizando palavras diferentes (nunca disse que tinhas dito o que julgas que eu tinha ficado a pensar que disseste;). Também advogo que sejamos inteiramente verdadeiros connosco, sempre que não o somos pregamos uma cruz no caixão da nossa felicidade.

Quanto à história dos empregos, convém que não façamos algo detestável para sobrevivermos, mas aspirar a um emprego de sonho é para mim algo próximo do irrealismo. Se o que a economia ou a sociedade precisam de nós não coincide 100% com o que adoramos fazer, temos que saber adaptarmo-nos, sob pena de o mercado se esquecer de nós. A vida não é um quadro cor de rosa, infelizmente...

De Teresa Faria a 09.12.2012 às 22:36

A vida é o que nós quisermos que ela seja!! As simple as that!
Mas vá, sendo condescendente e aceitando essa tua visão carregada de crenças... Ok, por vezes temos (ou por medo achamos que temos) de vergar um pouco o espírito. Mas entre o ideal e o pesadelo vai uma grande distância. Não falo de quem até faz o que gosta, mas tem uma chatice ou outra com o patrão, ou dificuldade em implementar algumas ideias...
Para alguém criativo, dinâmico e inteligente, pode ser uma verdadeira tortura trabalhar num call center! Por exemplo. E o facto é que nos sujeitamos a muito, aceitamos "o que a vida nos dá", porque temos contas pra pagar... Esse é o discurso do medo, e é isso o que nos impede de rasgar com tudo, bater com a cabeça se preciso for, mas ter a coragem de perceber que somos nós os co-criadores das nossas vidas, e ter a audácia de querer ser 100% felizes!
Teorias... ;-)

De bolaseletras a 09.12.2012 às 23:07

O mundo precisa de teorias e de sonhos, fogo à peça;). E obrigado por lançares o lastro dos sonhos por aqui.

De Teresa Faria a 09.12.2012 às 23:11

You're very welcome!
Adoro semear sonhos, esperanças e sorrisos... ;-)
Boa noite

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