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Charles Bukowski - "Nirvana"

Quarta-feira, 12.12.12

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publicado por bolaseletras às 18:07


6 comentários

De Teresa Faria a 12.12.2012 às 23:50

Muito, muito bom.
Há de facto momentos perfeitos, em que tudo parece estar em celestial harmonia. Momentos que de tão imaculados nos apetece trancarmo-nos dentro deles, ficar ali... a sorver toda aquela perfeição.
Porque será que invariavelmente seguimos os passos dos outros e voltamos a tomar o nosso assento dentro do maldito Bus? Sempre os medos de romper com o itinerário traçado; sempre os medos que nos devolvem à carneirada.
"A viagem já foi planificada, há que manter o percurso. Acomoda-te no teu bafiento lugar, e mantém-te sempre na mesma estrada que te conduz em fastidiosa segurança."
Um dia ainda digo: Desta vez vou mesmo ficar neste café!

Obrigada António

De bolaseletras a 13.12.2012 às 09:54

A ideia com que fiquei do filme casa muito com a tua interpretação, Teresa. Contudo, após alguma reflexão, outras nuances começaramm a emergir. Será que o mais fácil não é abandonar o rumo traçado e abraçar apenas o que nos dá prazer? Será que o mais confortável não é entregar-nos só aos comandos da nossa vontade? Não será mais difícil dominarmos os nossos desejos e vontades de fuga e entregarmo-nos à rotina que em determinado momento escolhemos para a nossa vida? Se formos a ver bem, ficar naquele café e fugir ao caminho de todos os dias é o mais confortável, porque é o que no fundo queremos. Seguir o caminho de todos os dias pode ser o que exige mais de nós. É como as sardinhas, há para todos os gostos;).

De Teresa Faria a 13.12.2012 às 20:30

António, António... I read you. Mas lá vem argumentação…

I) "após alguma reflexão, outras nuances começaram a emergir"

É claro caro António, quando te permites reflectir, entra a mente em acção, e a mente é a Mestre Criadora do medo. Claro que quando começas a pensar vêm os teus medos todos. Mas o que sentes, o primeiro impulso, essa é a tua verdade, a tua essência.

II) "Não será mais difícil dominarmos os nossos desejos e vontades de fuga e entregarmo-nos à rotina que em determinado momento escolhemos para a nossa vida?"

a) Mas de onde vem este raio desta ideia (que todos temos), que a vida deve ser difícil??? Porque é que temos de escolher o caminho difícil; o que exige esforço por ser contraditório com aquilo que o nosso ser está a bradar, ainda que teimemos em não o ouvir? Quando vamos perceber que tudo o que é feito em esforço não é feito em verdade?... E que no fundo, o único "esforço" que deveríamos todos fazer era escutar menos a mente e mais o coração. Ele é a nossa verdade.

b) E de onde raio vem também a ideia de que o que escolhemos um dia tem de ser "para a vida"??? Nós somos seres em constante mudança. O que me faz feliz hoje, pode não me servir daqui a 10 anos! Quando escolhes a tua área de formação na adolescência, sabes lá tu o que te vai fazer sentir realizado aos 30 ou aos 40! A vida não é uma estrada em linha recta, pelo contrário, estás permanentemente a deparar-te com bifurcações. Em todos os momentos tu estás a fazer escolhas e a construir o teu caminho. E como “isto aqui” é um plano de aprendizagem, quanto tempo não passamos nós a circular numa única rotunda, a cair invariavelmente no mesmo buraco, até aprendermos a desviarmo-nos? Quantas vezes não dizemos nós “Outra vez?? Bolas, isto está sempre a acontecer-me!” – Sinal que ainda não aprendeste o que tens para aprender - Só quando o fizeres sairás verdadeiramente da rotunda. E mais uma vez, serás tu a escolher a direcção que queres tomar. Pode ser melhor ou pior do que o que ficou para trás, pode até conduzir-te apenas a outra rotunda com outro buraco, mas será sempre uma escolha tua.

A nossa dificuldade (porque somos demasiado Mente) é ter coragem para assumir a mudança, quando percebemos que aquilo que escolhemos há 10 anos já não faz sentido para nós. E isso nem sequer implica dramatismos nem culpas, simplesmente as coisas deixam de fazer sentido, e quando assim é há que fechar uma porta para que outra se possa abrir. E isso é o mais difícil: Assumi-lo perante os outros e as suas regras, mais, perante nós mesmos, já que muitas vezes encaramos a nossa mudança como falhanço ou fraqueza nossa. E é aí que entra a mente com os seus enredos e as suas desculpas para nos manter presos no mesmo caminho. "Então mas se eu assumi este compromisso, tenho de o honrar." Só que tu já não és a pessoa que eras quando assumiste o compromisso! Não estou com isto a desresponsabilizar-nos ou a exultar a inconsequência, estou apenas a afirmar que é nosso dever sermos verdadeiros, antes de mais e acima de tudo, connosco. Se não fores feliz, não conseguirás trazer felicidade a mais ninguém.

III) "ficar naquele café e fugir ao caminho de todos os dias é o mais confortável, porque é o que no fundo queremos"

Engano o teu. Um erro de percepção perfeitamente legítimo, que nos assola a todos.
O café não é o mais confortável, porque é o desconhecido. Isso aterroriza-nos. Rapidamente a mente nos enche de "E se...?" E se não corre bem? E se eu estiver errado? E se...? A nossa zona de conforto é onde está a nossa segurança, o território conhecido, familiar. Pode não nos preencher, não nos dar kicks de adrenalina, não nos apaixonar, mas sabemos que podemos contar com aquilo... Isso sim, é confortável.
No fundo todos podemos desejar o café. Mas é tão no fundo, que muitos nem percebemos o que é o nosso café. E temos tanto medo de descobrir, que quando há qualquer coisa que se atreve a tentar emergir, qualquer coisa que mexe connosco e nos faz sentir “Ali é que eu era feliz”, rapidamente a afogamos em "e ses" e a silenciamos, para voltarmos ao nosso confortável mundo velho.

continua...

De Teresa Faria a 13.12.2012 às 20:30

A felicidade assusta. A possibilidade de ser genuinamente feliz é-nos ensinada como um conceito utópico. Só em filmes e contos de fadas.
Pois eu, caro António, aquela que eu sou hoje, recusa-se a seguir uma estrada que alguém desenhou para si. Recuso-me a ser mais uma ovelha cinzenta a engrossar o rebanho. Tentarei fazer as minhas rotundas o mínimo de vezes possível, e nas bifurcações tomarei decisões em consciência, seguindo a minha verdade. Sei que pelo caminho encontrarei cafés perfeitos, outros nem tanto, algumas miragens, e sem dúvida que de vez em quando ainda darei por mim confortavelmente instalada no Bus… Mas garanto-te que assim que me aperceber disso, pressiono o botão “Sair na próxima saída”. E que venham mais rotundas, entroncamentos e cruzamentos!

Desculpa o “testamento”, mas este é um tema que me entusiasma. Ainda converto este comentário num blog! ;-)
Tens de voltar ao tema futebol, que aí eu não me estico!
Beijinhos

De bolaseletras a 13.12.2012 às 21:57

É um testamento, sim, mas um belo testamento, Teresa. Tanto podia dizer, mas foi um dia cansativo pelo que vou resumir as ideias: tens óptimas perspectivas da vida, brilhantes, inspiradoras. Segue-as e inspira os outros. A felicidade não me assusta, mas continuo a achar que há caminhos que parecendo fáceis são os mais difíceis e vice versa. E onde está a felicidade? Provavelmente por todo o lado, um pouco por cada caminho, difusa por cada atalho da vida. Voltarei ao futebol em breve, mas voltarei sempre aqui;).

De Teresa Faria a 13.12.2012 às 22:02

A felicidade está no que te faz feliz.
Tão simples quanto isso. :-)
Bom descanso

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