Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Tomates precisam-se! (Nacional 1 - Sporting 1)
Neste Sporting em constante estado de ansiedade, neste punhado de rapazes à beira de um ataque de nervos, não sei o que preocupa mais. Se o facto de a cada jogo que passa a falta de qualidade de alguns jogadores se tornar cada vez mais escandalosa, se a desgraça de perceber que os 11 rapazes que por ali andam parecem não se conhecer, dada a inacreditável ausência de fio de jogo que lhes una as pontas soltas. Mas não é só. A confiança, como não poderia deixar de ser, já desceu abaixo do nível da relva (o sinal máximo da descrença foi aquele lamentável penaltie de Wolfswinkel e o seu piedoso desespero após a asneira). Não fora o improvável milagre em forma de míssil inventado por Cédric e a derrota teria sido inevitável e provavelmente merecida.
E de positivo, nada a assinalar? Neste deserto de vontade e garra que é o actual Sporting é inevitável louvar aqueles que puseram em campo alguns laivos de força mental e anímica. Mais que todos o pequeno Capel, que apesar do problema da cabeça demasiado próxima da relva e por vezes afastadas das linhas de passe para onde deveria olhar, carrega com toda a equipa às costas, correndo, correndo, inventando, puxando pela energia de colegas que não se deixam contagiar. Depois, os tomates do jovem inglês Eric Dier. Nos últimos minutos, não contente com o empate (o que dói ter percebido que para boa parte dos jogadores aquilo não era mau de todo), Dier procurou furar sozinho, encontrar espaços, inventar lances de perigo só com a sua vontade. Inteligente? Provavelmente não, mas mostrou que o rapaz teve e tem tomates. E neste momento também estes faltam à equipa: tomates precisam-se para combater a crise!

