Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Guantanamo e a prima do mestre de obras
Paolo Pellegrin, Guantanamo 2006
Não me enquadro nos paladinos que defendem a liberdade acima de tudo, mesmo da própria vida humana, quando o excesso de alforria se exerce esquecendo os valores primordiais que deveria respeitar. Defendo mesmo que quem abusa das asas que a democracia e uma sociedade aberta lhes concede deve pagar – e bem – com a privação da mesma, caso se torne um perigo para a comunidade que lhe deu a beber tão valioso néctar (nos tempos modernos chamam-lhe red bull).
Mas não se confunda a obra-prima do mestre com a prima do mestre-de-obras. Em nome da segurança e da defesa da sociedade o poder não pode estabelecer regras sem controlo de outros poderes, em nome do nosso medo não se pode eleger a discricionariedade como lei. Prender suspeitos sem provas não cabe numa sociedade democrática, esconder isso do mundo é fechar as portas da democracia. Torturar gente com ou sem provas é próprio de uma sociedade selvaticamente livre. Creio que não é essa liberdade que pretendemos defender.

