Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Violent Femmes, memórias de Macau e um brinde aos confrades do oriente
Nunca fui, mesmo em adolescente, do género groupie ou fanático de concertos ao vivo. Sempre achei que a qualidade da música melhor se manifestava e sentia num bom sistema de som, na calma de um qualquer ambiente que me inspirasse. Como em tudo na vida, há excepções que confirmam que não somos seres de fiar, que os nossos hábitos quebram sempre perante circunstâncias inesperadas. A mim, bastava-me ouvir os primeiros acordes de uma qualquer música dos Violent Femmes que os olhos se me vidravam, os músculos retesavam e tinha que dar à perna, ao capacete, aos braços, o diabo a sete. Inesquecível o concerto que estes rapazes deram em Coimbra em noite de queima das fitas, a alucinação colectiva que tomou conta de um pavilhão cujo nome a memória apagou, num ano que já lá vai e que também se esfumou no tempo.
Felizmente, não se apagaram as recordações dessa noite épica, fraternalmente partilhada com a minha loira açoriana e a minha louca criança conimbricense (vocês sabem quem são). Essa noite ficou na memória para todo o sempre, muitas outras se seguiram partilhadas com estes e outros confrades que as raízes do nobre território de Macau uniram, muitas outras noites se seguirão, por mais anos que passem, por mais que as distâncias nos vão dificultando a vida. Este post é para nós, rapazes, para a nossa memória futura.
