Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Para um 2013 em grande!
Fotografia de Sebastião Salgado - "Alaska"
Dando voz ao tão conhecido pessimismo, queixismo, lamurismo e tristismo (é para rimar, deixem lá isso, se o Saramago e o Lobo Antunes também inventaram palavras não serei menos do que eles) tão tipicamente lusitanos, não há voz que não trauteie ao vento o top mais do próximo ano: o horror, a miséria, o buraco sem fundo, o fim do mundo sem retorno, um par de calças velhas e bolsos rotos, os pratos rapados até lascar a loiça. O ano do nosso Senhor de 2013 só existe para que acabe depressa e para que o apaguemos da nossa memória.
Se me permitem, quero que as vozes da desgraça se fecundem bem fecundadinhas. Há sempre um caminho, há sempre uma luz, a mais arrepiante crise é uma preciosa oportunidade para arrepiar caminho, um empurrão para despertarmos o engenho que melhor se dá a conhecer em tempos de necessidade. Procuremos o caminho, penetremos nas montanhas dos nossos medos e desvendemos o riacho que nos há-de matar a sede de esperança.

