Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Até quando?
Fotografia de Josef Koudelka
O que sente uma gaivota quando vagueia em busca de alimento? O que sente uma ave que migra incessantemente em busca da sobrevivência, do sustento, de manter-se à tona de água? Que forças movem e sustentam animais tão frágeis, que instintos os conduzem no caminho da interminável luta? Até quando as asas baterão, até quando a vontade de lutar contra ventos contrários se sobreporá ao conforto da desistência? Até quando aguentará o povo o castigo que aqueles em que votaram decidiram infligir-lhe? Até quando estas sanguessugas manterão expressões impolutas, frases grandiloquentes e a pouca vergonha tão bem escondida sob os aprumados fatos cinzentos? Até quando o cheiro do medo não atiçará o povo sedento de justiça?

