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A Possibilidade de uma Ilha - o ciclo vicioso eternamente repetido

Quarta-feira, 23.01.13

 

 

"Durante as primeiras fases da minha ascensão à glória e à fortuna, experimentara ocasionalmente as alegrias do consumismo, através das quais a nossa época se mostra tão superior às precedentes. Poderíamos dissertar até ao infinito para saber se os homens eram ou não mais felizes nos séculos passados. (…) De qualquer modo, no plano do consumo, a superioridade do século XX era indiscutível: nada, em nenhuma outra civilização, em nenhuma outra época, podia comparar-se à perfeição itinerante de um centro comercial contemporâneo funcionando em pleno. Assim, eu consumira alegremente, de preferência sapatos; depois, aos poucos, fartei-me, e compreendi que a vida, sem aquele apoio quotidiano de prazeres elementares e ao mesmo tempo renovados, ia deixar de ser simples."

 

Os males da civilização moderna e a decadência progressiva do homem e da sua condição são os principais temas de Houellebecq. O consumismo, como âncora que sustenta a vida e os prazeres de boa parte de tanta gente que conhecemos (sim, vou-me auto-excluir, se me permitem) é um dos mais reveladores sinais de que o foco de tantas vidas se desviou por completo do cerne do que deveria ser a vida. O desespero que a crise fez surgir nas nossas vidas é também o desespero pela perda ou drástica redução das alegrias materiais e dos vícios aquisitivos.

 

O falso brilho com que as montras nos cegaram funcionou demasiadas vezes como último reduto dos nossos desejos. Restringimos as nossas ambições e gostos ao efémero, ao material, o metal e os tecidos substituíram a carne e o espiritual. Foi necessária a decadência económica para nos reaproximarmos, mesmo que lentamente e contra as nossas mais profundas intenções, de um sentido de vida palpável, a cheirar a terra e a carne. Mais uma vez, os homens teimam em só aprender depois dos mesmos erros infinitamente repetidos. Mais uma vez o vicioso ciclo da queda, do esbracejar e do lento ressurgir se repete. Mais uma vez somos incapazes de seguir em linha recta rumo a um novo destino.

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publicado por bolaseletras às 17:45


2 comentários

De Teresa a 24.01.2013 às 10:32

"O consumismo, como âncora"

E de repente voltamos ao ponto anterior da breve infância.

Não fosse esse consumismo e a capacidade de poder pagar judo, aulas de piano, e mandarim a partir dos 6 - para o miúdo poder ir trabalhar para a China - as crianças teriam tempo para ser crianças.

Para saber se gostam mesmo de piano ou de tambores.

Se querem mesmo ir para a China ou o Norte profundo deste País que é deles e lhes foi legado para empreender e viver: "Não! Não trabalho para isso!"


O puto que não vá aos 26 aniversários da turma por ano é visto como um outsider, e só o poderá fazer se tiver "moeda de troca" para provar porque não precisa dessa inserção e provocando nos outros inveja pela sua melhor "sorte" (ao fds vamos para a Quinta ou para o Algarve).

Não se convida um amigo "para brincar lá em casa". os amigos são os da escola, não os do prédio ou do bairro, onde haveria chances de criar laços emocionais a par dos institucionais.

Na sociedade moderna, consumista, e com poder de compra, o Verão Azul é uma coisa desperdiçada. Em Fevereiro já os pais (com $$$) andam em frangalhos a ver as actividades para as férias - "esta colónia só tem entretenimento. eu queria uma onde ele pudesse começar línguas a sério (aos 5 anos!???)"


Sou da opinião que quem diz que o dinheiro não traz felicidade não sabe comprar nos sítios certos ahahahah mas, como em tudo, a sua má utilização vai ser o fim. Se de mais nada, da alma.


(lê este artigo, quando quiseres e tiveres tempo - www.newyorker.com/arts/critics/books/2012/07/02/120702crbo_books_kolbert?currentPage=1)

De bolaseletras a 24.01.2013 às 22:45

Não tive tempo para o artigo (hei-de arranjar) mas sei que não há melhor forma de crescer do que com os amigos do bairro, em verões eternamente azuis! Bom fim de semana!

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