Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Encerra-se mais uma CEO, prolonga-se eternamente a esperança leonina
48 horas depois, uma mão cheia de especialidades gastronómicas depois, algumas mãos cheias de grandes pomadas depois, deu-se por encerrado o 16.º encontro da Confraria etnográfica dos Olivais. Dezenas de trocadilhos passados, risadas, muitas risadas, abraços fraternos, conversas sérias também, a família, as doenças, as dificuldades que a crise e a malfada quebra generalizada das receitas, dos ordenados, do consumo trouxe às nossas vidas. Suecadas, maratonas de poker, torneios de matraquilhos, toques na bola, bola na TV, basket na TV. E por trás de tudo isto o que está por trás de tudo isto: a amizade - celebrada, renovada e bem regada, para não parar de florescer e jamais esmorecer.
No caminho de regresso um confrade apressado para levar o filho a Alvalade, a esperança nos olhos, a esperança que a criança volte a gritar golos de verde e branco. Mas a genialidade de Carrillo ainda se perde na falta da maturidade que tarda em chegar, a consistência defensiva ainda se perde na desconfiança nos seus dois representantes centrais, a esperança de que falamos ainda se perde nos braços da crise, na necessidade de deixarmos sair o Insua para recrutarmos o esforçado Joãozinho. Há mais consistência, mais posse de bola, mais ideia do jogo que queremos impor, falta a confiança e dois ou três melhores executantes em lugares chave. Mas falta o dinheiro pelo que se exige que a necessidade aguce o engenho. Agucem lá isso, rapazes, veja lá isso Professor.
p.s. - A fotografia respeita a um dos vinhos da noite, um Colares reserva de 87, um Senhor de 26 anos.

