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"Leave us kids alone" - já diziam os Pink Floyd

Segunda-feira, 28.01.13

 

 

Nos dias de hoje - tempos de crise, de busca de soluções e de incapacidade em pensar fora da caixa - a expressão mais escutada passa por apelar à urgente “mudança de paradigma”. E esta bela expressão serve para tudo. Para se clamar por uma sociedade do salve-se quem puder, para bater nos idiotas que ainda se arvoram a pensar que sobram trocos para o bendito estado social, para justificar porque se deve deixar de tratar velhinhos quando o custo da cura é elevado, para defender porque os serviços públicos que não tenham como principal função albergar amigos do partido reinante têm que fechar as portinhas, enfim, o rol de aleivosias que se esconde por trás da merda do paradigma é interminável.

 

Ora bem, contribuindo para mais um paradigma que é preciso mudar, diria que derrubar o que está subentendido no cartoon acima é essencial. O medo que assola as mentes e os corações dos paiszinhos (e sim, eu estou lá, não sou nenhum extraterrestre nem nenhum ser iluminado) de que os seus rebentos não possuam todas as armas, todas as armaduras que lhes permitam sobreviver na sociedade que os tempos futuros fazem adivinhar (olho por olho, dente por dente) é a maior ameaça à capacidade de desenrascanço, de pensar, de agir e reagir por si próprios dos nossos petizes. O excesso de preparação, de doutrinação, de aulas, de atividades extra-escolares, de horários para fazer trabalhos de casa, dificilmente deixará tempo para trabalhar aquelas que creio serão ferramentas muito úteis no futuro: a capacidade de adaptação a mudanças conjunturais repentinas, a imaginação, a resposta instintiva ao desconhecido e à novidade, a capacidade de encontrar soluções que nunca antes lhes tenham sido pedidas. Saber é essencial, mas construir o saber passo a passo, também por si mesmos, será cada vez mais decisivo. Dar tempo e espaço à pessoa que os nossos filhos são, fugindo aos moldes e aos estereótipos que a sociedade nos impõe e a que cegamente aderimos – não me parece uma má proposta para o projecto educativo de 2013.

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publicado por bolaseletras às 21:49


1 comentário

De Teresa a 29.01.2013 às 13:07

Doing things HAS To suck!!!!



Cada vez que "estudo" com a filha mais pequenita fico pasmada como aquilo é tão mau, tão insuficiente - há livros de algumas disciplinas que nem faz sentido, não há uma linha, não há rigor, não há profundidade. Depois vem uma impreparação - pedagógica já nem refiro - de alguns professores (meter uma professora à beira de esgotamento a ensinar adolescentes e com casos problemáticos é para quê?! ou para quem?!)


Aprendias mais e melhor francês com os emigras durante um Verão no Norte Profundo... ou História nas tertúlias com o Tio Armando, do que em 12 anos de escolaridade o-b-r-i-g-a-t-ó-r-i-a * E os miúdos aprendiam a ouvir (outra grande lacuna da "nossa" educação) e a adorar aprender.



Os Pink Floyd cantaram isso no momento da grande viragem, já viste bem?! Parece que ninguém ouviu... ou quis perceber. Cá, e lá!



* tivemos almoço de família no Domingo e o meus sobrinhos brindaram-nos com as pérolas da (des)educação real nas nossas escolas. Ambos leccionam no Concelho de Setúbal e eram estes jovens, e não tão jovens, professores do Portugal REAL que deveriam ser ouvidos antes de decretarem escolaridades obrigatórias, integração de diferentes realidades etc, e outras brincadeirinhas de mau gosto que têm saído desse Ministério.

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